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UM CARVALHO QUE ESCREVE NOS JORNAIS – Luís Braga

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UM CARVALHO QUE ESCREVE NOS JORNAIS

 

….. e acha que nos pode ralhar…. E inventar colagens políticas.

 

O Manuel Carvalho continua a sua senda de destruição do Público. Para infelicidade do título, que Vicente Jorge Silva lançou como espaço cívico e democrático, está diretor.

 

Sem sentido crítico nenhum, titula a sua arenga de hoje “Uma greve errada, parte II”.

 

Uma manifestação é “extraordinária” e está bem…. Uma greve eficaz suscita-lhe uma catilinária em que mete o BLOCO de Esquerda ao barulho, na linha das “conspirações vermelhas”, que os reaccionários sempre acenam quando a luta de gente oprimida lhes começa a doer.

 

NOTA DEFINITIVA: O STOP É APARTIDÁRIO.

 

Creio que os dirigentes do Bloco gostariam de ter o peso na greve que o jornalista lhes atribui. Na verdade, não têm nenhum.

 

Que eu saiba (e eu saberia) estou muito sozinho como militante da dita agremiação política entre os ativistas mais públicos da greve. E sou lateral e irrelevante para o rumo da coisa.. Formalmente fui delegado sindical da minha escola e suplente da direção do Stop. E não risco nada.

 

Em COIMBRA, quando a greve do Stop foi lançada estavam lá 300 e muitos. E não identifiquei muitos “camaradas”. O que é algo muito fresco e animador para a revitalização cívica da classe docente.

 

Esse é o erro dos nossos jornalistas: estão tão habituados às guerras de alecrim e manjerona dos restaurantes de Lisboa que não vêem uma comoção social popular em marcha, mesmo que ela os leve de arrasto.

 

A FORÇA DISTO É A DIVERSIDADE

 

Hoje, à porta da escola vi uma colega que sei que vota à direita, ao lado de 2 que calculo votaram PS. Animados e empenhados. E se me pusesse a pensar, aquilo é a maior salada política que já vi.

 

Porque a política não tem nada a ver com aquilo. Quem conhece uma sala de professores sabe que interessa pouco saber isso nas nossas discussões sobre condições de trabalho.

 

Para os meus colegas eu não sou o Luis do Bloco, sou o Luís de História, mau feitio. O J. não é do CDS é de educação física, gajo porreiro, e que tem ajudado a greve com lealdade, mesmo não a fazendo por ideias que são lá dele, etc.

 

Isto tudo que vivemos não tem nada a ver com partidos e política, tem a ver com escola que é a coisa mais Política que existe.

 

Mas da elevada, não da baixa.

 

No autocarro em que fui a Lisboa, os militantes do Bloco que lá iam (2) eram uma minoria absoluta. E os 2 estão em sindicatos diferentes: eu no STOP..

 

ANTES DE TUDO O RESTO: PROFESSORES

 

Não é segredo para ninguém que vá ao Google que fui candidato do Bloco nas autárquicas.

 

Mas, antes disso, sou cidadão e professor.

 

Mas no STOP somos muito poucos. Há mais na Fenprof. Aliás, no STOP somos poucos seja qual for a origem.

 

Saí do SPN porque houve um dirigente que me disse “o que tinha de pensar” sobre um acordo pifio.

 

Ninguém me diz o que pensar. Nem a minha mãe dizia. E não vai ser a Catarina Martins, o André Pestana ou Mário Nogueira que me dizem o que pensar ou fazer.

 

Os professores não são criancinhas que precisem que os levem pela mão. E quando acordam, marcam a cidadania. Acordaram como classe profissional.

 

E para minha alegria é essa a classe docente que se está a mostrar nas ruas: uma classe diversa, mas que nos seus assuntos profissionais se mostra unida e focada.

 

Porque batemos no fundo na educação e isso é relativamente consensual e uma visão a partidária, surgida no quotidiano da escola.

 

E claramente não vai ser o Carvalho, que calha ser diretor do Público e seus companheiros de cartilhice, que vão conseguir conspurcar um movimento profissional franco, sincero e independente com politiquices desfocadas.

 

A maior alegria destes dias é ver aparecer muitos professores anónimos a falar à porta das escolas. A falar de si e a falar bem: articulados e com consistência.

 

E a dizerem as mesmas coisas sobre a nossa má vida e mau futuro na escola.

 

Mas não é cartilha. É vida. É ESCOLA.

 

Nas “elites” vemos a cartilha da politiquice, que nos mergulhou, como país, nesta apagada e vil tristeza, que escorre em lama das 1as páginas do Correio da Manhã.

 

A VOZ QUE VEM DOS CORREDORES DE SALAS DE AULA

 

Aos cartilheiros, que tentam apresentar o Ministro como um benevolente negociador e os professores como malandragem manipulada, que suborna os pobres “contínuos”, digo “comentem o real e não comentem os vossos tristes preconceitos de seita sobre nós.”

 

E se há coisa que a greve tem sido é alegre.

 

Logo à noite, vamos ouvir a mesma cartilha cansativa do ministro.

Nem sei se vou ver a entrevista.

 

O que é preciso é persistir e ignorar.

 

E continuar com um movimento de professores, livres, focados na sua dignidade profissional.

 

Pelo menos não nos chamam terroristas.

 

Já é qualquer coisa.

 

A GNR só encontrou salsichas e rissóis.

 

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