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Tecnologias vs CyberBullying vs Comportamentos

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Inicio este artigo, contando resumidamente o meu percurso escolar e com os “termos técnicos” dos nossos dias.

Iniciei a pré-escola nos Maristas, Lourenço Marques, hoje Maputo em Moçambique.

Posteriormente, fomos para a África do Sul, iniciei a grade 1, na SunnySideSchool em Pretória, só no segundo ano da minha estadia é que fui matriculada na escola Portuguesa. Na escola portuguesa, fui vítima de violência física por parte da professora, porque no quadro não soube dividir- consequência: tenho um cálculo mental bastante evoluído, e faço qualquer divisão mentalmente. 

Viemos para Portugal e fui para um colégio privado, em 78/79, todos sabemos a qualidade do ensino Privado em Portugal desse tempo, nenhum, eu andava a tomar conta e a ensinar inglês aos alunos do 1º ano.

De seguida a minha Mãe colocou-me numa escola Pública, AMEI! Era desde a professora, os colegas e a Escola. Tinha um colega do artigo 54, a professora perguntou às duas alunas do Quadro de Honra, quem queria ficar com o colega ao lado? A minha colega Y, demonstrou completo desagrado, mas eu feliz, porque ia ajudar, disse logo que sim. Transpor, para os nossos dias, não havia Tutoria, apoio direcionado ou apoio psicológico. 3º e 4º anos foram uma alegria. Mas os recreios, os recreios, como gosto de dizer: “eu exercia bullying”, retifico, eu era mais super-herói, prevenia qualquer ação que pudesse se desenvolver nesse sentido, partia logo para intimidação e se necessário, agressão física. Como grande fã dos filmes do James Bond-007, aprendi que nunca se deve demonstrar medo ao inimigo. Tinha outra vantagem, um irmão 2 anos e meio mais velho, o meu treinador de boxe, ou de qualquer outra luta, delirávamos. Vinda das antigas colónias, é óbvio, que os meus colegas ouviam comentários infelizes, por parte dos seus familiares, que por vezes, repetiam na minha direção, sim podia ter ficado traumatizada, mas não, respondia ou normalmente com violência física o problema ficava resolvido. O meu colega X, do artigo 54, ambos os Pais eram invisuais e ele tinha um problema de saúde, que transpirava bastante dos pés, os outros nem se queriam aproximar e repudiavam-no. Com o tempo, a professora, funcionárias da escola e eu conseguimos, minimizar o odor, foi lindo, os colegas, já o chamavam para participar em todas as brincadeiras. Como Delegada de Turma, tive sempre como objetivo defender os mais tímidos e oprimidos.

Entramos no 2º Ciclo, entramos na pré-adolescência…namoricos, Parvalheira Completa! Confesso, que foi no 5º e 6º ano, que conheci o pecado mortal na Inveja. Depois das minhas colegas da turma descobrirem, que eu não era o rapaz do Skate que fazia propaganda à Pepsi, mas uma menina atraente para os meus colegas de turma. Começou a calúnia, os papelinhos a passarem pela sala, as mentiras…ou seja, nos tempos de hoje, estaria a sofrer de Bullying psicológico. Mas eu andava a ler a grande coleção da escritora Enid Blyton, os Cinco. Eu era a Zé e não tinha medo de nada. Consegui resolver a maioria dos problemas. Os papelinhos desapareciam, rasgados, deitados ao lixo, nada para relembrar possíveis ofensas e não existia ressentimento, começamos a brincar, como se nada tivesse acontecido. Todas as situações que tive, foram sempre sem conhecimento da minha Mãe. Ficando-me por aqui. 

No antigo liceu, 7º Ano, comecei a ser uma aluna muito parvinha, mas nunca, nunca faltei ao respeito a nenhum Professor.

Alívio, já deviam estar fartos de ler a minha vida!

Agora vou explicar o telemóvel e a Escola. Os papelinhos ofensivos, que desapareciam.

Eu, professora de Matemática, TIC e Formadora de Tecnologias, sou completamente contra, que uma criança/adolescente ter telemóvel, até ao 10º Ano.  Sim eu sei, as várias justificações que já me deram. Os perigos, saber onde está, estar sempre contactável, colocar aplicações, que permitem saber exatamente onde a criança/adolescente está. Não, não concordo. Aqui inicia a primeira contradição do que pretendem para as crianças/filhos e alunos. A Escola não deve criar rebanhos, cada aluno deve ser visto como um indivíduo, respeitar a sua autonomia e criatividade. Mas os Pais estão a criar números, não se sintam ofendidos, o fato do telemóvel andar sempre com a criança, podemos pensar em identificá-lo com o IP do telemóvel. 

Informo, que as escolas têm telefones, os EE têm acesso às plataformas das escolas, para aceder à informação, têm os horários das crianças. Um aluno demora X tempo a chegar a casa. Esta era a informação que os EE tiveram durante anos e anos, e honestamente não me recordo de problemas ao chegarem a casa.

“Uma criança com um telemóvel”, ainda não consegui encontrar benefícios para a criança, para os Pais talvez, para a criança nenhum (eu tenho um lema, e está escrito em documentos oficiosos, em qualquer dúvida em relação ao aluno, temos que escolher a opção, que irá beneficiar sempre o aluno), que não possa rapidamente adquirir mais tarde, que ainda me interrogo, qual será? Comportamentos aditivos? Fazer Cyberbullying?

Com o telemóvel, vêm os jogos, vem o acesso ao MUNDO, seja o bom ou o mau e vêm as “maravilhosas” redes sociais. As redes sociais, que são tão acessíveis…vamos ofender a M, porque gosta do mesmo rapaz que eu, e vamos denegrir a imagem dela, ou então, vamos chamar nomes ao D, que é tão parvo, não simpatizo com ele e vamos chamar nomes…poderia continuar aqui com mais exemplos. Fica tudo registado, as duas crianças em questão estão magoadas, sentidas e tristes, mas têm sempre, sempre “o texto escrito num grupo do Whatsapp, ou numa mensagem privada”, para lerem e relerem e não se esquecerem. Pergunto aos Pais? Este sofrimento e os comportamentos aditivos compensam, terem telemóvel tão cedo?

Vivermos numa Sociedade, em que infelizmente a criança, que tem telemóvel é que está “bem vista” e ainda ridiculariza e goza com a criança, em que os Pais foram Pais e não lhe deram telemóvel.

O que um telemóvel, contribui para a escola e o desenvolvimento dos alunos: roubos, inveja, ostentação, isolamento, aprender cedo de mais o que não é próprio para a fase de vida em que estão, perigos da NET.

Continuam a concordar com o Telemóvel nas idades mais novas?

 

Xannax

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