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«Surtos nas escolas são inevitáveis», diz pediatra. Guia para um regresso às aulas seguro

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Mais de 20 países encerraram as escolas devido ao novo coronavírus, levando pelo menos 1,5 mil milhões de crianças e jovens de todo o Mundo a ficar em casa. No entanto, Setembro aproxima-se a passos largos e são muitas as instituições de ensino que irão reabrir portas, nomeadamente em Portugal.

«Os surtos nas escolas são inevitáveis», garante Otto Helve, pediatra especializado em doenças infecciosas do Finnish Institute for Health and Welfare. Citado pela ScienceMag, o especialista afirma que existem porém, boas notícias: algumas alterações às rotinas escolares podem fazer com que os benefícios das aulas presenciais sejam maiores do que os potenciais riscos. Pelo menos, em comunidades onde a taxa de infecção seja baixa e onde há autoridades prontas a identificar e isolar casos e respectivos contactos.

A mesma publicação analisou as estratégias de reabertura de países de vários pontos do planeta, de África do Sul à Finlândia ou Israel para perceber quais as medidas adoptadas para assegurar a segurança de todos – alunos, professores e assistentes técnicos. Em traços gerais, a melhor abordagem parece ser uma combinação de pequenos grupos de pessoas, obrigatoriedade de máscara e distanciamento social.

Quão provável é que uma criança apanhe e transmita o vírus?

Vários estudos, indica a ScienceMag, sugerem que pessoas menores de 18 anos apresentam uma probabilidade até 50% inferior de contrair o vírus quando comparadas com adultos. O risco também parece ser inferior para crianças mais novas. Ainda é necessária, porém, mais investigação para chegar a conclusões definitivas.

Devem as crianças brincar juntas?

Embora pareça ser eficaz, a estratégia que obriga as crianças a ficarem separadas, cada uma com direito a apenas um círculo para se movimentarem e brincar, está a reunir cada vez mais dúvidas por parte de cientistas, pediatras e pais. Pedem um meio termo que proteja as comunidades mas garanta a saúde mental dos mais novos.

«Tem de haver um nível de risco que estamos dispostos a assumir ao levar uma criança para a escola», afirma Kate Zinszer, epidemiologista da Universidade de Montreal. Na Holanda, por exemplo, as turmas foram reduzidas para metade, mas o distanciamento não é obrigatório para crianças com menos de 12 anos. Mais recentemente, este país decidiu que jovens menores de 17 anos não precisam de manter a distância.

Decisões como esta levam em consideração as preocupações relativamente ao desenvolvimetno e à saúde mental, mas também questões práticas: é impossível manter a distância numa escola com a lotação a 100%.

Devem as crianças usar máscara?

Susan Coffin, médica da Children’s Hospital of Philadelphia, acredita que usar máscara é um dos ingredientes necessários para abrandar a propagação do vírus nas escolas, especialmente quando o distanciamento social é difícil. As gotículas de respiração são uma das principais forma de transmissão, lembra a especialista.

Na China, Coreia do Sul, Japão ou Vietname, já é habitual utilizar máscara na escola durante a época de gripe. Alunos e professores estão já familiarizados com o facto de só retirarem a máscara para almoçar. Na Europa, por outro lado, esta não é uma prática comum, pelo que o desconforto associado poderá ser mais complicado de ultrapassar. Em algumas escolas da Alemanha, por exemplo, os alunos têm de usar máscara nos corredores e casas de banho, mas podem retirá-las quando estão nas respectivas secretárias (com a distância necessária).

Por outro lado, em Israel, a falta de máscaras nas escolas mostrou-se problemática. Segundo Efrat Aflalo, ministra da Saúde do país, os alunos deixaram de usar máscaras quando uma onda de calor atingiu Israel e, durante duas semanas, tudo parecia correr bem. Mais tarde, a ministra começou a receber chamadas sobre uma escola em Jerusalem onde havia um surto. É impossível dizer que a culpa seja das máscaras, mas Efrat Aflalo acredita que será mais do que uma coincidência.

O que devem as escolas fazer quando alguém testar positivo?

Ninguém sabe. Segundo a ScienceMag, esta é a resposta sucinta, considerando a falta de dados que ainda existe sobre o tema. Há quem sugira que se deve fechar toda a escola ou mandar para casa apenas a turma do aluno ou professor infectado. No Quebec, por exemplo, a segunda abordagem é a adoptada.

No sentido inverso, em Taiwan, as escolas mantêm-se abertas caso haja apenas um caso, mas se houver registo de dois ou mais a opção é mesmo o encerramento. Em Israel, as escolas fechavam assim que era confirmado um caso de infecção e todos os contactos próximos eram testados.

Testes generalizados nas escolas poderão ajudar a perceber qual a melhor técnica. Ao perceber quem está infectado e quem tem anticorpos, as escolas poderão compreender de que forma se propaga o vírus e qual o risco de contágio nestes espaços.

As escolas levam o vírus para o resto da comunidade?

Como as crianças não costumam ter sintomas, podem representar uma espécie de ameaça silenciosa. Isto significaria que reabrir as escolas poderia ser um risco maior para o resto da comunidade do que para as escolas em si.

Ainda assim, dados iniciais de alguns países europeus mostram que o risco para lá da escola é reduzido, pelo menos quando as taxas de infecção locais já são baixas. Na Dinamarca, o número de infecções no país continuou a cair depois das escolas primárias reabrirem a 15 de Abril. O mesmo aconteceu na Holanda, Finlândia, Bélgica e Áustria.

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