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Sucesso escolar: de mil e um fatores, há três – José Augusto Pacheco

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Se há assunto educativo que tenha sido estudado ao longo de quase um século é inquestionavelmente a avaliação, sobretudo ao nível dos resultados académicos resultantes de testes, provas e exames ou, de forma mais simples, da avaliação sumativa e de tudo o que esta modalidade de avaliação representa em termos de classificação.

Desde os estudos de docimologia de meados do século XX, com grande impacto na discussão da subjetividade/objetividade dos avaliadores e na elaboração de testes associados a taxonomias, até aos estudos de avaliação formativa, ligados à avaliação para a aprendizagem e como aprendizagem, um longo caminho já foi percorrido, sendo possível constatar que não há uma relação linear entre o conhecimento produzido, por um lado, e os resultados académicos, por outro.

Há, por assim dizer, uma insatisfação permanente relativamente à avaliação sumativa em meio escolar que resulta de muitos fatores, mesmo que a atual realidade escolar não se compare com o que ocorria há pouco tempo atrás, em que a escola era mais de exclusão do que inclusão, tanto no acesso quanto nos resultados.

No entanto, principalmente nas últimas três décadas, as políticas orientadas para o sucesso educativo têm feito a diferença, não sendo possível deixar de reconhecer a evolução muito positiva na diminuição das taxas de retenção e desistência, incluindo a desistência precoce, bem como da melhoria da taxa real de escolarização e das taxas de transição e de conclusão por ciclos e níveis de ensino.

Com efeito, observa-se que há uma melhoria significativa dos indicadores de sucesso académico, já dentro das médias propostas pela União Europeia, não sendo despiciente ignorar a melhoria dos resultados obtidos por alunos portugueses em testes internacionais em larga escala.

As linhas dos gráficos elaborados com esses dados revelam uma melhoria substantiva da escola ao nível dos resultados académicos, sendo possível dizer não só que mais alunos completam a escolaridade obrigatória, têm percursos diretos de sucesso e transitam para o ensino superior, como também que menos alunos abandonam a escola (a redução para 6,5% da taxa de abandono escolar precoce, recentemente divulgada pelo Ministério da Educação, é significativa, mais ainda em tempos de pandemia).

Se bem que esses dados existam nos relatórios de avaliação externa das escolas, seria adequado que existisse uma perspetiva nacional, por exemplo, quer dos resultados dos alunos oriundos de contextos socioeconómicos desfavorecidos, de origem imigrante e de grupos culturalmente diferenciados, quer dos resultados de desenvolvimento e valorização dos alunos de excelência. Poder-se-ia dizer, assim, que a imagem nacional que existe da escola portuguesa poderia ser vista de outro modo, revelando dados que nem sempre são analisados com a profundidade que mereceriam.

Dos estudos sobre a avaliação centrada nos resultados académicos, realizados em diferentes áreas do conhecimento e com ênfase nas várias dimensões da escola, constam mil e um fatores preditivos do sucesso e/ou insucesso dos alunos.

De facto, o quadro teórico construído apresenta uma diversidade de análises tão diferentes e tão completas que não seria difícil de traçar o que seria ideal para a obtenção do sucesso educativo real, a partir do que se entende serem os lugares comuns do currículo: aluno, professor, conhecimento, escola e contexto.

Para cada um deles, são amplamente discutidos indicadores que conduzem a resultados de efetivo sucesso das aprendizagens, independentemente dos procedimentos de avaliação, embora seja de admitir, como os estudos de docimologia revelam, que o sucesso depende, também, das técnicas de avaliação ao nível da elaboração do teste/exame e das práticas de correção.

Não pretendendo ser reducionista, e perante a necessidade de falar dos mil e um fatores preditores do sucesso e/ou insucesso escolar, apenas destacaria três: o apoio pedagógico aos alunos, com a deteção o mais cedo possível das dificuldades de aprendizagem para que seja possível implementar medidas de promoção do sucesso individual, esbatendo-se, desse modo, a influência dos fatores socioeconómicos na aprendizagem; a relação dos alunos com o conhecimento escolar, em que é desejável a articulação do perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória com as aprendizagens essenciais; a motivação e o envolvimento de alunos, educadores, professores, profissionais da educação, pais/encarregados de educação e membros da comunidade, pois a educação é, pela sua própria natureza, um empreendimento humano.


O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

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