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Recuperação de aprendizagens: directores das escolas dizem que Governo ainda só apresentou um “plano de intenções”

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O plano de recuperação de aprendizagens apresentado pelo ministro da Educação e o primeiro-ministro é “genérico” e não passa ainda das “intenções”, defendem os directores das escolas públicas, que mesmo assim elogiam as orientações às escolas para os próximos dois anos lectivos que foram tornadas públicas esta terça-feira. Para perceber o efeito das medidas anunciadas na resposta às perdas de conhecimentos provocadas pela pandemia falta que estas sejam conhecidas “na especialidade”, dizem.

O que o ministro Tiago Brandão Rodrigues traçou esta terça-feira são “linhas gerais”, afirma o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira, que ainda assim classifica como “positivas“.

“O que ficamos a conhecer é um bocadinho genérico e agora precisa de ser concretizado”, concorda Filinto Lima, que preside à Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), mesmo que aquilo que foi conhecido esta terça-feira “corresponda às expectativas” dos associados.

Esse número pode, no entanto, não ser suficiente, antecipa Filinto Lima, para quem “há escolas com determinadas situações que podem exigir que esse número tenha que ser reforçado”. O plano de recuperação deve servir para “perguntar às escolas quais as reais necessidades para os próximos dois anos”, entende o presidente da Andaep.

“Já vimos a parra, falta ver a uva”, reage ao PÚBLICO o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira. Em comunicado, a estrutura sindical considerou a proposta do Governo “pouco clara” e com medidas que ficam “aquém das expectativas”.

Em concreto, a Fenprof considerando não ser “crível” que os 140 milhões de euros anunciados para reforço de recursos humanos possam “dar resposta às necessidades identificadas pelas escolas”, nomeadamente para possibilitar a diminuição do número de alunos por turma, evitar que haja turmas do 1.º ciclo com alunos de mais do que um ano de escolaridade bem como os programas de tutorias e mentorias.

Na apresentação do plano de recuperação de aprendizagens, o ministro da Educação anunciou que a concretização das medidas será discutida em breve com os parceiros do sector. Mário Nogueira diz que a Fenprof está a “aguardar a marcação de uma reunião para a próxima semana” para debater o assunto com a tutela, “esperando até lá receber um documento com o referido plano”.

Pais voltam à escola

Quem já tem reunião marcada com os responsáveis da tutela são as duas associações de directores escolares. Manuel Pereira espera que esse encontro, agendado para a próxima semana, sirva para discutir “na especialidade” o plano que agora foi apresentado.

Já a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) recebeu “com bastante agrado” o plano do Governo, nomeadamente por abrir a possibilidade para a redução do número de alunos por turma e pela autonomia que dá às escolas para encontrar as soluções que melhor se adaptam às suas comunidades educativas, sintetiza o dirigente Alberto Santos.

A Confap também elogia a “intenção clara” manifestada pelo Governo de aproximar as famílias das escolas, em particular com a criação de uma linha específica do programa Qualifica destinada aos familiares das crianças e jovens em idade escolar. A iniciativa vai permitir que “os pais voltem a estudar”, anunciou o ministro da Educação.

“Muitas vezes, as famílias não estão tão envolvidas no quotidiano dos alunos devido aos seus próprio problemas de qualificação de base”, contextualiza Alberto Santos, esperando que esta medida possa ajudar a “responder a este problema”.

Público

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