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Recuperação das aprendizagens deve “começar já”

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Os antigos ministros da Educação Maria de Lurdes Rodrigues e Marçal Grilo concordam que “é urgente” lançar o programa de recuperação de aprendizagens, em que o Governo está a trabalhar para responder aos impactos da pandemia. Em vez de aguardar pelo próximo ano lectivo, este trabalho deve arrancar no Verão, abrindo as escolas a todos os alunos, defenderam ambos esta quarta-feira, durante um debate promovido pelo Edulog, plataforma educativa da Fundação Belmiro de Azevedo.

Começar a trabalhar para recuperar os conhecimentos que ficaram afectados por dois períodos de ensino à distância “é urgente”, defende Marçal Grilo, que foi ministro da Educação num Governo do PS entre 1995 e 1999 e que vê como perdido “cada mês que passa em que determinadas medidas não são assumidas” pelo Ministério da Educação.

Maria de Lurdes Rodrigues propõe “um Verão de portas abertas” nas escolas de todo o país, “com programas variados que permitam recuperar o tempo perdido”, uma ideia com a qual Marçal Grilo mostrou a sua concordância.

opção por “Escolas de Verão” como forma de trabalhar os conhecimentos que ficaram atrasados por causa da pandemia já tinha sido avançada por um grupo de economistas da Nova School of Business and Economics, que no final do mês passado apresentou uma proposta de plano de recuperação das aprendizagens. A solução também agrada a alguns dos especialistas entretanto nomeados pelo Ministério da Educação para um grupo de reflexão que está a estudar propostas – e que falaram ao PÚBLICO a título individual no início desse trabalho.

As escolas podem ser “um espaço de socialização alternativa” durante o próximo Verão, considera Maria de Lurdes Rodrigues, até porque muitas famílias “não vão poder fazer férias”. Ter os estabelecimentos de ensino de portas abertas permite “dar às escolas a centralidade que elas devem ter na vida dos estudantes e das famílias”, sustenta.

“Demasiado tempo afastadas das escolas”

Marçal Grilo considera que a medida faz sentido até fora do contexto da pandemia, uma vez que o período de férias de Verão, que tradicionalmente se prolonga por dois meses e meio, é excessivo: “As crianças estão demasiado tempo afastadas das escolas”.

O antigo ministro, que actualmente preside ao Conselho Geral da Universidade de Aveiro, entende que soluções como estas vão obrigar o Governo a “ter que alargar os cordões à bolsa”. “Não se pode exigir o que se está a exigir aos professores sem uma compensação”, afirma, comparando a situação à dos profissionais de saúde, a quem foram atribuídos prémios de desempenho extraordinários, devido à pandemia.

O debate em que participaram os dois ex-ministros da Educação serviu de lançamento ao Edustat – Observatório de Educação, uma nova plataforma da Edulog que reúne estatísticas sobre o sistema educativo. Os dados compilados já eram públicos. Trata-se de informação disponibilizada regularmente por organismos nacionais como o Instituto Nacional de Estatística ou a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência ou internacionais como o Eurostat ou a OCDE.

Esta plataforma permite, porém, estabelecer análises comparativas entre indicadores publicados por entidades distintas, fruto de um trabalho de uma equipa de 25 investigadores, liderada pelo Centro de Investigação em Políticas do Ensino Superior.

O Edustat inclui uma área “Pro”, destinada a especialistas em Educação, mas também as “Infostats”, com análises de dados sobre o sistema de ensino nacional destinados ao público em geral.

Público

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