Início Educação Quantos alunos estão em isolamento? DGS não contabiliza, ministério não responde

Quantos alunos estão em isolamento? DGS não contabiliza, ministério não responde

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Fenprof quer saber quantos professores, funcionários e alunos foram infectados e quantas turmas ficaram em isolamento na última quinzena. Ministério ainda não respondeu.

Com o número de infecções por covid-19 a aumentar e uma incidência elevada na faixa etária até aos 9 anos, tem crescido também o impacto da nova vaga da pandemia sobre as escolas. Mais casos “positivos” significam também mais alunos, ou turmas inteiras, em isolamento profiláctico. Assim sendo, quantos estudantes estão, neste momento, a ter novamente aulas à distância? A Direcção-Geral de Saúde (DGS) não contabiliza esses números

A DGS “não tem” o número de alunos que foram enviados para isolamento profiláctico devido a contacto de risco com algum colega ou professor, nem o número de turmas “encerradas” por ordem das autoridades locais de saúde. Esses dados “não são relevantes para as decisões de saúde pública” que têm que ser tomadas, explica ao PÚBLICO fonte do organismo liderado por Graça Freitas.

Para o trabalho das autoridades de saúde são apenas relevantes os números de surtos da doença activos em contexto escolar – o que inclui creches, jardins-de-infância e também instituições de ensino superior – bem como o total de infecções a estes associados. A DGS tem sido a única entidade pública a divulgar dados sobre o impacto da covid-19 nas escolas desde o início da pandemia.

A assessoria de comunicação da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo remete um pedido sobre o número de alunos e número de turmas em isolamento para o Ministério da Educação. O PÚBLICO contactou, esta sexta-feira, o ministério acerca destes números, questionando se estes dados existem e estão compilados. O gabinete de Tiago Brandão Rodrigues não respondeu até ao momento.

Há cerca de um ano, entrou em funcionamento uma plataforma digital onde os directores das escolas públicas passaram a ter que reportar os casos de infecção por covid-19 ou isolamento profiláctico nas respectivas comunidades educativas. Além disso, para que uma turma transite do ensino presencial para um modelo híbrido ou à distância, também é necessária autorização da Direcção-Geral de Estabelecimentos Escolares.

Também nesta sexta-feira, a Fenprof tornou público que questionou o Ministério da Educação sobre a situação sanitária nas escolas, atendendo ao aumento de casos de covid-19 que afectam a comunidade escolar com cada vez mais situações de isolamento e quarentena. A organização sindical pediu à tutela a lista das escolas e jardins-de-infância onde foram identificados casos de covid-19, desde Setembro, quando começaram as aulas.

Em comunicado, a Fenprof acrescenta que fez outras perguntas tais como saber quantos docentes, trabalhadores não docentes e alunos (em cada estabelecimento) foram infectados e quantas turmas ficaram em isolamento na última quinzena (entre 16 a 30 de Novembro). Foram também estes os dados que o PÚBLICO pediu, nos últimos dias, à DGS e ao Ministério da Educação e que não conseguiu obter.

 

Também tinha sido questionada a DGS sobre quantos dias de escola foram perdidos nos dois anos lectivos em isolamentos de turmas completas; quantos casos positivos de covid foram detectados nas turmas isoladas e até quantos dias depois do isolamento surgem casos positivos no grupo isolado. São questões para as quais a Direcção-geral da Saúde também não recolhe dados. Fonte da autoridade de saúde garante, porém, que “todos” os casos de alunos isolados são efectivamente testados.

Desde o início do ano lectivo passado, a Fenprof fez repetidamente um pedido semelhante ao ministério, que foi recusando divulgar esses dados. A resposta ao sindicato chegaria em Fevereiro, por ordem do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa.

 

Até essa altura, mais de metade das escolas públicas do país tinha registado pelo menos um caso de infecção por covid-19. Entre Setembro de 2020 e Fevereiro de 2021, “2933 escolas públicas do continente, que não incluem o ensino superior”, registaram casos de infecção entre a sua população, segundo informações do Ministério da Educação divulgadas então pela Fenprof.

 

Neste momento, o número de surtos activos de covid-19 em ambiente escolar está em crescimento, tendo duplicado no espaço de duas semanas. Segundo a DGS havia, no início desta semana, 338 focos da doença em estabelecimentos de educação e perto de 3000 casos “positivos” a eles associados.

 

Nos 2.959 casos de covid-19 associados aos surtos activos estão incluídos os alunos, professores e funcionários, bem como os familiares e demais coabitantes cuja infecção foi confirmada na sequência dos testes feitos após a detecção de um caso num estabelecimento de educação. Parte destas pessoas “já estarão” recuperadas, avança a DGS em resposta ao PÚBLICO.

 

No anterior balanço sobre a incidência da covid-19 em ambiente escolar, divulgado a 14 de Novembro, a DGS contabilizava 169 surtos activos e 1493 casos associados. Ou seja, em duas semanas duplicaram tanto o número de surtos como o total de casos positivos a eles associados.

 

Nem todos os 338 focos de covid-19 identificados dizem respeito a escolas. A contabilidade da autoridade de saúde inclui todos os surtos activos em ambiente escolar, o que inclui também creches e demais equipamentos sociais, bem como as instituições de ensino superior, tanto no sector público como no privado.

Público