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Professores “velhos – Joaquim Jorge

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Os professores com mais de 40, 41 ou 42 anos de serviço docente com 64 ou 65 anos, estando no topo da carreira, esta luta dos professores passa-lhes ao lado, apesar de estarem solidários com os restantes professores. Porém, devem poder ter uma aposentação específica com direito a uma reforma digna. Seria uma forma de dar lugar aos professores mais novos.

Os sindicatos têm que ver quem está no início da carreia, no meio da carreira, mas também, quem está no fim da carreira.

As propostas do ME para a revisão do regime de concursos são inaceitáveis e o Ministro continua a recusar negociar outras questões como a recuperação do tempo de serviço, a regularização dos horários de trabalho, a mobilidade por doença, entre outras reivindicações essenciais para a valorização da profissão docente.

Todavia, o Ministro, também recusa um regime específico de aposentação.

Há professores mais velhos aquando da recuperação parcial do tempo de serviço não beneficiaram na totalidade dessa prerrogativa, devido a terem passado para o topo da carreira, não podendo progredir mais.

É necessário um regime específico de aposentação, como forma de rejuvenescer a classe docente. A equiparação do topo da carreira docente ao topo de técnico superior da função pública. Actualmente, há uma diferença de 100 e tal euros. O governo quebrou a paridade entre a carreira docente e a de técnico superior, essa paridade foi alcançada em 1986, após muitos anos de luta.

Há cerca de 16% de professores no topo da carreira e podem reformar-se dentro de poucos anos.

Há professores que começaram a leccionar na década oitenta que tinham a perspectiva de se reformarem com 36 anos de serviço, porém , agora, vão trabalhar à vontade mais 8, 9 ou 10 anos.

Os professores velhos são do tempo de haver falta de professores, em que qualquer um, com umas cadeiras da Faculdade podia dar umas aulas. Os mini-concursos permitiram colmatar falta de professores a Português e Matemática. Colocar alguém a leccionar disciplinas fora do seu âmbito de formação foi um erro.

A avaliação e o garrote no antigo 8.º escalão no tempo da Lurdes Rodrigues criou um clima de crispação e de péssimo ambiente entre os professores. O ambiente entre colegas, nunca mais foi um ambiente saudável, sem competição, pelo bem dos alunos e da comunidade escolar.

Essa avaliação criou um fosso de relacionamento deplorável, e com a incidência que há professores que se julgam mais do que os outros, com a conivência da direcção de uma escola.

Os professores velhos passaram de um ensino público, em que ia estudar quem queria para um ensino obrigatório. Isso criou salas de aula abarrotadas, indisciplina, más instalações, falta de material e um modelo de meritocracia que, dizem, acaba por beneficiar as escolas com mais recursos, em geral nas zonas privilegiadas da cidade.

Este país não é para velhos, mas também, não é para velhos professores. Segundo uma noticia do DN, os professores em Portugal são dos mais velhos e mal pagos.

Os professores são maltratados e desprezados, mas os professores mais velhos são esquecidos e abandonados.

Os professores velhos já passaram por tudo na educação, mudança de Ministros, mudança de políticas, mudança de critérios pedagógicos, mudança de avaliação e progressão na sua carreira. Os professores velhos andaram sempre aos trambolhões.

Numa sociedade evoluída deve-se tratar bem os velhos, e nunca esquecer quem ensinou gerações de alunos – os professores velhos.

DN

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