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Professores por vacinar ameaçam meter baixa

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No Agrupamento de Escolas do Castêlo da Maia há 179 professores e dois não docentes ainda sem qualquer dose da vacina contra a covid-19. Uma situação que está a provocar grande ansiedade e se estende a várias escolas do País, com professores a ameaçarem com baixa médica.

“Não sabemos o motivo e a falta de resposta é a grande questão”, conta ao DN Marco Marques, diretor do agrupamento. O responsável garante ter falado “com quem de direito” e ter levado a cabo “todos os procedimentos necessários para resolver o problema”. “A lista que foi enviada para a testagem tem os mesmos dados daquela que foi enviada para a vacinação. Serviu para a testagem e não se entende o que falhou para o processo de vacinação”.

A situação, conta, está a criar “muita ansiedade aos docentes”. “Não se compreende esta situação e com uma justificação seria mais fácil de entender e de gerir. Era importante que nos dessem alguma explicação”, afirma.

Eva Matias, professora de Matemática numa escola da Amadora também não compreende “o silêncio” das entidades. “Ainda não fui contactada e o silêncio é inacreditável. Já fiz queixa ao Provedor de Justiça, enviei email para o Conselho de Ministros e Presidência da República e não tive resposta de ninguém”, explica. A docente, que sofre de hipotiroidismo – uma doença autoimune – diz sentir-se “psicologicamente afetada com a situação”. “Dou aulas ao 9º ano. São alunos que não foram incluídos na testagem e que têm comportamentos de risco próprios da idade. São idades críticas, estão enfiados nas casas uns dos outros a conviver, andam sempre todos juntos e sem máscara no exterior da escola”, sublinha.

A professora diz estar a “colocar a vida em risco diariamente” e pondera recorrer à baixa médica se a situação não se resolver. “Dou aulas há 23 anos e nunca meti baixa na minha vida, mas tenho muito medo de ir trabalhar. Não me sinto segura na escola e a verdade é que os alunos já não cumprem tanto as regras de segurança. Para eles, isto já passou”, conclui.

A opinião é partilhada por Fernando Couto, professor do Agrupamento de Escolas Cardoso Lopes, na Amadora, para quem a escola “não é, nem nunca foi um lugar seguro”. “A imagem que passam de segurança não é real e não é o ideal para evitar a contaminação. Não por culpa das direções das escolas, mas pela falta de cumprimento de regras por parte dos alunos. E é preciso não esquecer que por trás de cada criança há um agregado familiar. A escola não é um lugar seguro, nem o conseguirá ser porque não há capacidade para isso”, diz.

O professor de Educação Física, ainda por vacinar, diz não se sentir seguro a dar aulas. “Na minha disciplina, os alunos estão sem máscara. Não me sinto seguro e sinto-me injustiçado por não ser vacinado e não ter sequer uma resposta. Não consigo compreender o silêncio e a falta de respostas”, refere. Fernando Couto apresentou queixa ao Provedor de Justiça e pondera meter baixa médica. “No dia 8 tenho consulta e em função disso verei se meto baixa ou não. O coordenador da Task Force disse que a vacinação estaria para breve, mas não avançou com qualquer data”, adianta.

Rosário Miranda, do Agrupamento de Escolas de Vieira do Minho, vai aguardar até ao dia 15 e, se continuar sem ser chamada para vacinação, irá avançar com a baixa médica. A docente, com Lúpus, é doente de risco e diz estar a ser “muito difícil lidar com a situação”. Queixa-se, também, da falta de resposta. “Mandam-me aguardar, mas não há qualquer expectativa de data, nem explicação por ainda não ter sido chamada”, afirma. Rosário Miranda tem ainda a mãe, doente oncológica, a seu cargo, o que lhe aumenta o receio de contágio. “Estou a pôr-me em risco todos os dias. Os alunos estão a cumprir cada vez menos as medidas de segurança. Acham que a doença não tem riscos para eles e relaxam muito. Sem vacina, não tenho como sentir-me segura”, sublinha.

Gouveia e Melo prometeu não deixar “ninguém para trás”

O coordenador da Task Force, Gouveia e Melo, prometeu, em declarações proferidas na passada sexta-feira, não deixar “ninguém para trás”. Segundo o responsável, encontram-se por vacinar 45 mil docentes e funcionários escolares. Gouveia e Melo disse ainda que o plano de vacinação contra a covid-19, cujo início teve lugar em dezembro de 2020, foi “um processo com diferentes fases”, mas alguns dos docentes “não conseguiram entrar” nos dois fins de semana em que decorreram as vacinações, “não por culpa” da Task Force.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas desconhecia a existência de um número “tão expressivo” de docentes por vacinar. “Fiquei admirado ao saber que são 45 mil. É um número elevado e não é residual como pensávamos, mas aquilo que se pede é que tenham prioridade e que sejam vacinados o quanto antes. Até porque muitos já irão tomar a segunda dose quando tantos ainda não deram a primeira. O processo tem de ser acelerado para que sejam vacinados o quanto antes”, pede. Para o responsável, estes docentes devem ser prioritários e os professores precisam, o quanto antes, de estar todos vacinados, pois “é essencial para transmitir confiança à comunidade educativa”.

DN

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