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Professores? Esses vivem nos seus carros ou numa tenda – Diogo Fernandes Sousa

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O diploma para o concurso nacional dos professores já foi amplamente difundido e apresentado publicamente pelo Ministério da Educação, contudo ainda não está em vigor, pois o Presidente da República não o promulgou.

Habitualmente, os professores estão acostumados à abertura dos concursos de colocação no mês de março, contudo, este ano isso não aconteceu e o calendário está a arrastar-se cada vez mais, pelo que pode vir a atingir um ponto de séria gravidade.

O concurso distribui-se ao longo de vários meses e tem várias fases processuais onde os docentes preenchem diferentes tipos de informação, desde dados pessoais à manifestação de interesse de onde gostariam de ser colocados.

Gostariam porque, normalmente, não ficam colocados nesses lugares, mas sim a dezenas ou centenas de quilómetros dos mesmos. A única alternativa seria nem sequer se candidatarem e, portanto, ficarem no desemprego.

Assim, o concurso deveria ter-se iniciado em março, contudo ainda não arrancou e uma lista final deveria ser publicada em agosto, mas parece cada vez mais uma miragem distante, a prolongar-se para setembro.

O que fica em cima da mesa é uma evidente desorganização do Ministério da Educação que não percebe os sinais de adiamento do Presidente da República e não ouve os pedidos dos professores para que o diploma seja vetado, porque vai piorar a sua vida.

Vetado porquê? Porque este é o diploma que vai obrigar os professores a concorrer a qualquer lugar do país ou, caso contrário, não progridem na sua carreira.

O concurso nacional de professores vai sofrer alterações, contudo as propostas do Ministério da Educação estão longe de ser as melhores e estão muito distantes daquilo que se pretende para e pelos professores.

O Ministério da Educação afirma que vai terminar com a expressão “casa às costas”, contudo é o primeiro a tentar aprovar um diploma que vai agravar essa situação, passando a obrigar os professores a candidatar-se a qualquer parte de Portugal Continental.

Também percebemos que o concurso está atrasado e há a possibilidade de este atraso resultar numa divulgação tardia das listas finais de colocação dos professores, o que, por sua vez, significa que os docentes vão ficar limitados a, numa questão de horas, encontrar um alojamento e, portanto, que vamos ver um agravar de situações, cada vez mais recorrentes, de professores que são obrigados a viver no seu próprio carro ou num parque de campismo.

Por fim, este adiamento da publicação das listas pode fazer com que a sua divulgação se prolongue para o mês de setembro e isso naturalmente poderá traduzir-se num adiamento do início do ano letivo, além de que irá aumentar, de forma significativa, a quantidade de alunos que o vão iniciar sem professores a pelo menos uma disciplina.

Observador