Início Educação Professores entregam 18 pré-avisos de greve

Professores entregam 18 pré-avisos de greve

163
0

As organizações continuam a apertar o cerco ao ministro da Educação. Sete sindicatos e a Federação Nacional de Professores (Fenprof) entregaram esta sexta-feira 18 pré-avisos para as greves distritais, entre 16 de janeiro e 8 de fevereiro, que se somam a outras paralisações. Os protestos, que estão em crescendo, têm fechado escolas. E os docentes fazem marcação cerrada à agenda de João Costa que esta manhã tinha à sua espera um grupo em Coimbra e à tarde terá outro na Maia.

“O ministério tem de dar resposta às reivindicações dos professores”, frisou Mário Nogueira, esta manhã, antes de entregar os pré-avisos de greve. O líder da Fenprof garante que para a tensão diminuir, o ministro tem de “abandonar em sede negocial as propostas” relativas às mudanças no recrutamento e aceitar calendarizar outros processos negociais, de forma faseada, durante a legislatura. É que as intenções de ser reforçado o recrutamento de docentes através de conselhos locais de diretores através de perfis de competências foram “apenas a gota de água”. Há outros problemas que se arrastam há anos, aponta, como as vagas de acesso ao 5.º e 7.º escalões da carreira, quotas na avaliação, a recuperação integral do tempo de serviço, a perda salarial devido à inflação, níveis elevados de precariedade que afastam cada vez mais candidatos da profissão.

O ministro recorde-se, garantiu no Parlamento que a intenção de reforçar o recrutamento direto pelos diretores até um terço dos quadros das escolas já não estava em cima da mesa negocial. E que a contratação por perfis, que ainda não está em negociação tal como a criação dos conselhos locais de diretores, pretendem dar resposta à necessidade de as escolas manterem docentes afetos a projetos por mais de um ano. O ministro assegurou que nunca tinha proposto a municipalização do ensino

“Os professores estão todos unidos nesta luta contra as políticas educativas do Governo”, defende Júlia Azevedo do SIPE que mantém até final do mês a greve ao primeiro tempo horário de cada docente.

À chegada à Secundária Quinta das Flores, em Coimbra, onde reúne hoje com diretores da região Centro, o ministro tinha à sua espera cerca de uma centena de professores afetos à Fenprof e ao STOP que mantém uma greve desde 9 de dezembro. João Costa recebeu delegações das duas organizações. No final, tanto André Pestana, líder do STOP, como o dirigente da Fenprof, Vítor Godinho, lamentaram a falta de disponibilidade do ministro para antecipar a ronda negocial prevista só para o final do mês. As duas estruturas entregaram documentos com as reivindicações dos docentes.

Para Vítor Godinho “não é possível continuar a adiar” mais as soluções que se exigem.

“O senhor ministro ainda não percebeu o que se está a passar. Esperemos que tenha flexibilidade de pensar que estamos num momento crítico, numa profissão que está em declínio” e não basta anunciar disponibilidade, “é preciso encontrar soluções”, defendeu o dirigente da Fenprof.

A Federação tem agendado além das greves distritais, um acampamento frente ao ministério, em Lisboa, entre 10 e 13 de janeiro e uma manifestação nacional a 11 de fevereiro.

À chegada, João Costa não prestou declarações aos jornalistas.

JN