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Professor abusava de crianças na sala de aula

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Oprofessor do 1º ciclo, de 50 anos, detido esta semana pela Polícia Judiciária abusaria sexualmente das crianças na própria sala de aulas, à frente de outros alunos. O suspeito “não costumava levar as alunas para locais isolados”, garante ao Expresso uma fonte da Diretoria de Investigação Criminal de Braga da PJ.

Os crimes passavam sobretudo pelos “toques em partes íntimas” das vítimas, mas havia também outros tipos de abusos de “dimensões mais graves”, de acordo com a mesma fonte. Os alvos do professor eram crianças entre os seis e os dez anos, que, “devido à sua precoce idade, não se apercebiam muito bem do que lhes estava a acontecer”, acrescenta.

De acordo com a lei, os toques são considerados “atos sexuais de relevo”, puníveis com pena de prisão até oito anos. Neste caso não terá havido penetração, mas há suspeitas de abusos graves — toques por dentro da roupa, por exemplo — que são punidos com pena até dez anos de prisão.

Além disso, sendo o suspeito um docente do 1º ciclo, tinha “um grande ascendente” sobre as vítimas. “Era uma figura de referência para elas. E, por essa razão, as raparigas sentiram-se inibidas de fazer qualquer tipo de denúncia às autoridades.” E será alegadamente por essa razão que só agora as queixas vieram a público e em grande número.

ALUNAS DE 14 ANOS “GANHARAM CORAGEM”

Os abusos foram denunciados esta segunda-feira por seis alunas já com 14 anos, que frequentam agora a Escola Secundária de Póvoa de Lanhoso, em Braga. O fim do silêncio deveu-se a um evento organizado por este estabelecimento de ensino direcionado a prevenir crimes de violência doméstica e abusos sexuais. As alunas “ganharam coragem” e decidiram avançar com a denúncia contra o docente. “Os alunos foram colocados em grupos separados e motivados a partilhar memórias negativas da sua vida”, explica esta fonte policial. “Quatro delas contaram o que lhes aconteceu com o professor. E, num outro grupo, mais duas revelaram o mesmo.” A escola fez questão de explicar que os abusos não ocorreram dentro daquele estabelecimento de ensino.

Inspetores da PJ têm fortes suspeitas de que haverá muitos mais crimes cometidos pelo professor agora detido

De acordo com a PJ, estão em causa neste momento cerca de dois mil crimes de abuso sexual de crianças, a maioria agravados, e também pelo menos um crime de pornografia de menores.

PJ ESPERA NOVAS QUEIXAS

Segundo a mesma fonte, os inspetores têm fortes suspeitas de que haverá “muitos mais crimes cometidos pelo professor”, bem como “mais vítimas” alvo desses abusos ao longo dos mais de 20 anos de carreira do docente, que ensinou numa dezena de escolas do 1º ciclo no Norte do país. O suspeito deu aulas em estabelecimentos de ensino do Porto, Vila Nova de Gaia, Braga, Amares e Barcelos, onde mais abusos poderão ter ocorrido.

Os investigadores da PJ acreditam que depois destas denúncias iniciais, que tornaram o caso público, muitas irão surgir nos próximos dias. Outras vítimas poderão agora ganhar coragem de exporem os abusos de que foram alvo, num mecanismo semelhante ao que ocorreu recentemente no seio da Igreja Católica.

O professor foi de imediato detido após serem ouvidas as adolescentes, porque as autoridades consideraram que havia o “risco iminente” de poder voltar a cometer o mesmo tipo de crimes, já que continua a lecionar. E na sequência das buscas realizadas pela Judiciá­ria ao seu posto de trabalho, acabaram por ser localizados e apreendidos alguns objetos que poderão estar relacionados com a prática destes crimes. Desconhece-se, para já, em que escolas terão sido praticados estes abusos.

No comunicado que tornou o caso público, a PJ revela que o “suspeito vinha praticando os abusos pelo menos desde o ano letivo de 2017/2018 até à atualidade, em contexto de sala de aula e sobre alunas com idades entre os seis e os nove anos, na escola básica onde se encontrava a trabalhar”.

O professor suspeito foi presente a um juiz de instrução do Tribunal de Braga nesta quinta-feira e à hora de fecho desta edição ainda não eram conhecidas as medidas de coa­ção nem se o arguido prestou declarações.

Expresso