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Para que serve o Ministério da Educação? – Luís Marques

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1Há muito que se sabe que o grande problema da educação em Portugal está no Ministério da Educação. É o próprio Ministério da Educação. Sucessões de maravilhosas políticas educativas transformaram-no num monstro burocrático, onde já chegaram a trabalhar quase tantos professores como professores a dar aulas, prisioneiro da permanente chantagem dos aparelhos sindicais e eterno laboratório de experimentalismos na gestão das escolas e do ensino. O ministro João Costa é a personificação desta realidade, que todos os anos coloca o país em alvoroço com o espetáculo “abertura do ano escolar”.

O espetáculo consiste invaria­velmente na falta de professores, em horário por preencher, em milhares de alunos sem aulas, outros tantos professores sem saberem muito bem como e onde vão viver, e famílias, de alunos e professores, à beira de um ataque de nervos. Uma balbúrdia. Pois bem, o ministro tem uma explicação para isto. Mau planeamento. Sim, mau planeamento. Em entrevista a João Adelino Faria, na RTP, afirmou, sem corar, que este problema radica no “mau planeamento há muitos anos”. Podia ser um problema de conceito, de visão, de política, vá lá, de ideologia. Não, é de planeamento. Então, se o monstro burocrático que é o Ministério da Educação nem para planear serve, serve para quê? Fechem-no, já. Entreguem a gestão das escolas às escolas, ao poder local, aos pais e aos professores e verão que a maioria destes problemas desaparecerá. Não vai acontecer, mas devia.

Se o monstro burocrático que é o Ministério da Educação nem para planear serve, serve para quê? Fechem-no, já

2No mesmo registo desculpabilizante, que é o registo oficial, João Correia responsabilizou a especulação imobiliária pela dificuldade de encontrar professores com capacidade para pagar 600 euros por um quarto em Lisboa, o dobro daquilo que o ministro considera aceitável. João Correia viverá em que país? Vive num país em que um professor está condenado a viver num quarto, como ele próprio reconheceu. Vive num país em que um Governo, a que ele pertence, passa o tempo a atirar culpas próprias para cima dos outros, no caso, para cima dos proprietários, que têm costas largas. Vive num país em que, João Costa dixit, um Ministério dito da Educação não é capaz de planear nada, incluindo essa coisa elementar que é onde e como vão viver os professores deslocados. É para isto que serve esse zombie, a que chamam Ministério da Educação.

3Teodora Cardoso morreu como viveu. Discreta e digna. Uma grande senhora, que dedicou a vida a defender boas práticas na gestão orçamental e fiscal. Foi a alma do Conselho das Finanças Públicas, uma estrutura com relevantíssimo papel na fiscalização do poder. A sua longa e brilhante carreira está bem registada para a posteridade num artigo de homenagem de Carlos Costa, antigo governador do Banco de Portugal, no “Observador”. Vale a pena ler. A sua seriedade e independência foi pretexto para alguns ataques e até má-criação de gente menor, que anda por aí. Ela ficará na história, os outros não.