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Pais também querem que alunos do 1.º ciclo regressem às aulas presenciais na próxima semana

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Os alunos do 1.º ciclo do ensino básico devem regressar às escolas já na próxima segunda-feira, caso o Governo opte por iniciar o plano de desconfinamento no imediato, entende a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). Depois de, na reunião do Infarmed de segunda-feira, ter sido defendido que a reabertura deve começar pelas creches e pré-escolar, os pais juntam-se aos directores na argumentação de que os principais impactos do ensino à distância estão a ser sentidos pelos alunos dos anos iniciais de escolaridade.

A necessidade do regresso ao ensino presencial é especialmente importante para os alunos do 1.º e 2.º anos, sublinha o presidente da Confap, Jorge Ascenção, que estão “num momento crítico para se aprender a gostar da escola” do qual depende “todo o percurso de aprendizagem futuro”.

Na reunião do Infarmed, Raquel Duarte, da Administração Regional de Saúde do ​Norte e do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, defendeu que as creches e a educação pré-escolar deviam ser as primeiras áreas a reabrir, deixando o 1.º ciclo e 2.º ciclos apenas para um segundo momento, 15 dias depois do início do plano de desconfinamento.

Ascenção entende que as decisões do Governo não podem basear-se apenas em critérios epidemiológicos, sendo necessário ter em conta também “os impactos nas aprendizagens” que o confinamento prolongado está a ter junto dos alunos mais pequenos, bem como os problemas de saúde mental na população infantil que a pandemia tem agravado.

“Espero que haja conjugação por parte dos actores políticos para que seja possível” que os alunos do 1.º ciclo regressam às aulas já na segunda-feira, afirma ao PÚBLICO o presidente da Confap.

Os pais juntam-se assim aos directores das escolas públicas que também pretendem que no sector da Educação, o plano de desconfinamento comece pelo 1.º ciclo do ensino básico.

“Impacto em todas as crianças”

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, entende que o ensino à distância “está a ter impacto em todas as crianças” e que seria importante “que regressassem o quanto antes às escolas” tanto as que estão em idade de frequentar creches e a educação pré-escolar como as do ensino básico. No entanto, a ter que escolher alguém, “a prioridade deve ser dada ao 1.º ciclo”, afirma o mesmo responsável. Os alunos “que estão a ser mais prejudicados” com o confinamento e o ensino remoto são os do 1.º ciclo, “em particular os dos dois primeiros anos”.

Também Filinto Lima, da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas , concorda que seja dada prioridade aos alunos do 1.º ciclo na reabertura do ensino presencial. “Começa a ser urgente” o regresso dos alunos às escolas, defende aquele dirigente, lembrando que, nos últimos 12 meses, os estudantes tiveram cerca de 80 dias de aulas à distância, “o equivalente a dois períodos lectivos”.

A decisão final do Governo será anunciada na próxima quinta-feira, depois do Conselho de Ministros. O Ministério da Educação não avança qualquer pormenor sobre o regresso ao ensino presencial até lá.

Público