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Os adolescentes e os telemóveis – Eduardo Sá

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Os telemóveis são, para os adolescentes, um motivo compreensível de emancipação. Sentem-se “pessoas crescidas”. Tornam-se autónomos na forma como comunicam. Têm a mais fantástica enciclopédia do mundo à distância de um clicar. Acedem a conteúdos “infindáveis”. E navegam, sem restrições, nas redes sociais.

Os telemóveis permitem-lhes ler. Ver notícias. Consumir vídeos. Aceder a videojogos. E comunicar. Preferindo o on-line às relações de face a face. E passando, nalguns casos, mais de 12 horas por dia, ligados uns com os outros.

Os telemóveis trazem-lhes o mundo. Não através de notícias com contraditório. Mas, sobretudo, de acordo com o perfil que decorre com a forma como clicam e como isso faz com que aquilo que lhes chega resulte do algoritmo para o qual eles contribuem, todos os dias.

Os telemóveis são tão apelativos que os adolescentes se assumem “agarrados” a eles. E dependentes deles. Como se os telemóveis fossem uma “droga leve” sem a qual não podem passar.

O consumo continuado de ecrãs e de telemóveis, em particular, torna os adolescentes menos capazes de ser atentos. Mais impacientes. Mais sensíveis ao aborrecimento. Mais irascíveis. E mais impulsivos.

O acesso precoce e sem restrições a redes sociais faz com eles sejam expostos a conteúdos de uma toxicidade perigosa. Que os leva a assumirem exposições de privacidade, desafios e causas que faz com que, sobretudo, para os mais frágeis os telemóveis se tornem adversários poderosos da saúde mental.

Os adolescentes precisam da atenção dos pais em relação aos “amigos digitais”, aos sítios e aos conteúdos a que acedem. Precisam de refeições sem telemóveis. E de pais a darem-lhes o exemplo de uso sensato desse bem. E precisam que a escola não facilite o uso de telemóvel no recreio, na cantina e na sala de aula.

Está a decorrer uma petição sobre a restrição do uso de telemóveis na escola. E outra que visa regular os conteúdos das redes sociais a que os adolescentes têm acesso. Participem! É indispensável que os adolescentes não usem, sem restrições, os telemóveis nas escolas! E que os pais não se demitam de os proteger dos muitos perigos que eles lhes trazem. Os nossos filhos agradecem! Hoje e amanhã.

Observador