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“O sistema de avaliação de professores é injusto, desleal, sem transparência e manipulado…”

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E acredito de igual forma que a vida nos põe à prova para crescermos… é difícil aceitar esse dilema. É difícil virar a página, porque há páginas que não se viram. Há páginas que nos perseguem até ao fim dos nossos dias.

O sistema de avaliação de professores é injusto, desleal, sem transparência e manipulado. O SIADAP espelha as mesmas características. No entanto, é lei e há que cumpri-lo. As greves e as manifestações dão-me o direito de contestar um sistema que condeno. E somos tão poucos a contestar o que tantos condenam!

Mas a lei também nos defende, a lei permite-nos reclamar e recorrer, esgotamos as nossas forças e os nossos fundamentos, provamos o nosso mérito, sem nunca pôr em causa o mérito de quem teve a sorte de ficar nas quotas. Nunca pomos em causa a excelência de uns pela qualidade do nosso empenho. Lutamos apenas, porque a lei assim o dita, que cabemos nas quotas. Por duas décimas. Duas décimas. Sem prejuízos para ninguém, sem fugir ao sistema, sem pôr em causa a lei. Apenas e só na defesa de um direito. Levei algum tempo a querer falar disto. Hoje, fruto do cansaço, de um mau estar provocado quiçá pela vacina, deu-me para isto, senti vontade de expressar esta angústia que me tem atormentado. Lutei e perdi. Mas quero ser voz para que muitos lutem para que vençam. Jamais chegarei ao topo da carreira, jamais! Mas com orgulho e consciência digo e afirmo que sinto que sou boa, muito boa professora, não porque seja narcisista, mas porque vejo nos olhos dos meus alunos e alunas, vejo no carinho dos adultos de hoje, que foram meus alunos outrora, vejo porque construí a imagem de uma escola de sucesso. Jamais chegarei ao topo, mas a consciência do dever cumprido ninguém mo tira. Jamais chegarei ao topo, mas jamais deixarei de lutar por uma escola de sucesso, nas quatro paredes da minha sala. Jamais deixarei de dar voz aos meus colegas para que nunca desistam de lutar pelos seus direitos. Porque não nos podemos esconder atrás de um sistema de quotas, porque o sistema também nos defende. Basta quem tem o poder de aplicar a lei saber aplicá-la.

Não há ambiguidades lexicais e discursivas que ofusquem verdades…

Como dizia, o meu querido Manuel Alegre, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.
Na vida.
No mundo….

Sandra C.

Arlindovsky

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