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O que Enche Os Cofres Do Estado Não São As Greves, São Os Mais De Seis Anos Por Recuperar!

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 “…não faço greve porque só vou encher mais os cofres do Estado”

Foi esta a desculpa que mais vezes li nestes dias, em reposta ao meu artigo.

Queria tentar, não convencer, mas sim, pedagogicamente mostrar a diferença entre encher os cofres do estado por fazer uma greve e encher os cofres do estado por não a fazer.

O dizer-se que, fazendo greve, enchemos os cofres do estado e fazemos sorrir quem nos governa, estamos a esquecer o significado que uma greve deve ter e estamos, mais uma vez a pensar apenas e só nos tostões!

Mais uma vez, prometo que será a última, reclamo atenção para uma visão mais holística sobre a greve. A greve não é só perder o vencimento desse dia e ficar em casa, no caso alargando o fim de semana, é muito mais que isso!

E se, no caso dos professores, o sinal que damos é que nos podem roubar à vontade, falo do tempo de serviço que continua por devolver, que nós de tão pobres, falo de espírito, que somos, aceitamos e calamos, porque o que para nós interessa é o hoje e agora.

Observa:

  • da valorização da carreira dos docentes da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário (recuperação dos 6 anos, 6 meses e 23 dias ainda em falta; fim das ultrapassagens; desbloqueamento das progressões aos 5.º e 7.º escalões); e valorização das carreiras docentes do Ensino Superior e Investigação;
  • da aprovação de um Contrato Coletivo de Trabalho que respeite, em todas as dimensões, o exercício da profissão docente no ensino particular e cooperativo;
  • da despenalização, de imediato, da aposentação de todos os docentes com 40 anos de serviço e descontos, independentemente da idade, e sem aplicação do fator de sustentabilidade;
  • do pôr termo aos abusos e às ilegalidades que continuam a afetar os horários de trabalho dos docentes;
  • do combate de forma determinada e efetiva a precariedade que continua a afetar muitos milhares de docentes e investigadores;
  • da melhoria das condições de trabalho nas escolas, desde logo reduzindo significativamente o número de alunos por turma;
  • de medidas que ponham cobro às situações de violência sobre os profissionais da Educação e do Ensino;
  • da calendarização da remoção de todo o amianto existente nas escolas e informar as comunidades educativas dessa calendarização;
  • do reversão do processo de municipalização da Educação e do início da reflexão e do debate sobre a Regionalização;
  • da democratização da gestão das escolas / agrupamentos;
  • da reversão da desorçamentação da Educação, reforçando gradualmente o seu financiamento público, de forma a que, até final da atual legislatura, atinja os 6% do PIB;
  • da revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, designadamente em relação ao seu financiamento, gestão e natureza jurídica;
  • e pelo Respeitar a liberdade e os direitos sindicais, incluindo o direito à greve, bem como a representatividade das organizações sindicais.

Se estas justas reivindicações não são suficientes para fazeres uma greve, então começo seriamente a pensar que cada um tem aquilo que merece e pelo qual luta.

A pergunta para um milhão é: O governo poupa mais com a greve que faças ou com os 6 anos, 6 meses e 23 dias que não devolve?

Então se não queres que o estado encha os cofres faz greve e obriga a que devolva os 6 anos, 6 meses e 23 dias!

 

Alberto Veronesi

P.S. – Foquei-me apenas na desculpa que mais vezes foi dada…sobre a greve e todas as suas reivindicações já muito escrevi.