Início Importados - Educação O perfil dos que não aprendem – Isabel Flores

O perfil dos que não aprendem – Isabel Flores

1044
0

O que distingue o desenvolvimento do atraso é a aprendizagem, esta é a ideia basilar do perfil do aluno à saída da escolaridade obrigatória.

Num momento em que o abandono escolar se aproxima da média Europeia, os esforços devem concentra-se em garantir que os alunos estão na escola e aprendem. Urge combater o insucesso. Em Portugal existem 15.000 jovens que frequentam o ensino obrigatório durante dez anos e não aprendem quase nada, obtendo nível “1” simultaneamente a Matemática e a Leitura nos testes PISA (dados utilizados nesta análise). O PISA mede de que forma é que os alunos prestes a entrar na vida adulta conseguem resolver problemas mobilizando os conhecimentos adquiridos ao longo do seu percurso escolar.

PÚBLICO -

Aumentar

Os alunos que não aprendem, comparados com a média nacional, apresentam desvantagens em todas as dimensões:

PÚBLICO -

Aumentar

A família

PÚBLICO -

Aumentar
  • Menor tempo de pré-escolar, com início um ano letivo mais tarde, aos 4,5 anos;
  • Menor apoio às aprendizagens informais por parte dos pais durante o primeiro ciclo;
  • Menor apoio emocional por parte dos pais no presente, embora preocupados com as aprendizagens dos filhos.

Os próprios

  • Declaram ter apoio personalizado e “feedback” por parte dos professores;
  • Admitem que são malcomportados;
  • Sabem que são pouco resilientes no estudo;
  • Sentem pouca pertença à escola;
  • Declaram ter sido vítimas de bullying;
  • Não gostam de ler, pudera, não aprenderam.

A escola

  • 50% dos alunos difíceis concentram-se em 14% das escolas;
  • 83% destes alunos já repetiram pelo menos um ano, as escolas sinalizam bem;
  • Turmas mais pequenas (23,6 vs. 25,6 alunos);
  • Os diretores acusam falta de materiais pedagógicos e de colaboradores e reconhecem que os professores são dedicados;
  • Os diretores consideram que estes alunos se portam bastante mal.

Os alunos que não aprendem necessitam de colo e atenção em casa. Necessitam de programas de sensibilização das famílias, porventura antes do início da escolaridade obrigatória. Necessitam de ir mais cedo para o jardim infantil. Necessitam de programas que reduzam a desvantagem dos agregados familiares. Necessitam que a comunidade esteja atenta ao bullying. Necessitam de modelos para se comportarem melhor. Necessitam de não ser segregados em escolas estigmatizadas. Necessitam de aprender a ler para poder criar o gosto pelas histórias e pela criatividade. Necessitam que não desistam deles.

Os professores tentam dar um contributo positivo para que estes alunos continuem. Sempre os professores como o melhor ativo do sistema de educação.

As políticas públicas para uma educação inclusiva devem ser planeadas e desenhadas à medida das necessidades de cada grupo. O contexto atual é favorável. A tutela acolhe com agrado medidas no âmbito da autonomia e flexibilidade curricular e do desenho de estratégias que visem o sucesso das aprendizagens.

A transformação de crianças em adultos aptos para o pleno uso das suas capacidades é um percurso que exige respostas adaptadas. Cada escola deve estudar o perfil dos seus alunos e pensar programas que possam mitigar as dificuldades identificadas. Não existe nenhuma solução que sirva toda a população.

A autora escreve segundo o novo acordo ortográfico

Fonte: Público