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O APARTIDARISMO DO STOP. UM TEMA CENTRAL NA ATUAL FASE DE LUTA DOS PROFESSORES – Luís Braga

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Se o presidente de um sindicato for do PCP e a maioria dos titulares dos órgãos for também do PCP é legítimo e não soa disparatado dizer-se que o PCP tem algum grau de controle nesse sindicato.
Militantes seus, disciplinados, dominam numericamente os órgãos.
E conhecendo os rudimentos da doutrina comunista sobre sindicatos….
Nem vou dizer em que “sindicato tradicional” estou a pensar, que tanto leva no pelo por isto ser assim.
Mas, justiça seja feita, todos sabemos como é e o PC tem a virtude de ser relativamente transparente. Se é do PC sabemos que é do PC.
Se houver um sindicato do “sindicalismo diferente” , que tenha como coordenador um fundador de um partido trotskista entrista (o entrismo sendo um elemento doutrinário essencial) e uma maioria de dirigentes oriundos desse partido, o que sustenta o lirismo (a lata) de esse sindicato se dizer “apartidário”?
O ENTRISMO OCULTO
Se mentem e escondem isso podem mentir e esconder outras coisas.
Em Fevereiro, a Sábado publicou um texto em que se explicava isto (o link é só para assinantes). Dirigentes do STOP já disseram que a peça foi encomendada (sâo umas vitimas…..) e outras choraminguices.
Os órgãos sociais do STOP incluíam nessa data, além do conhecido militante do MAS, André Pestana as seguintes situações comprovadas de ligação como candidatos pelo Partido em eleições (as listas são públicas) ou mandatários (diz a Sábado).
1. Presidente da Assembleia Geral – Marta Cardoso
2. Vogal do Conselho Fiscal – João Antunes
3. Vogal do Conselho Fiscal – Fátima Cosme
4. Secretário da Direção – Pedro Monteiro
5. Tesoureira – Ana Marques
6. Vogal da Direcção- Silvio Miguel
7. Vogal da Direcção- Pedro Godinho
Daniel Martins que trabalha para o sindicato (cabeça de lista por Aveiro e mandatário no Porto e às Europeias).
Informação que recolhi indica que este último será um dos mais destacados dirigentes do MAS (o partido não divulga as listas de dirigentes) e, quem observe a vida do sindicato, sabe que funciona no modelo da figura clássica do “controleiro”.
Há outras pessoas, cuja acção é destacada no sindicato, e cuja ligação ao MAS parece próxima ou intima (mas não se comprova por documentos públicos e o partido não publica a lista dos seus dirigentes, como é legalmente obrigado, o que não se estranha, dada a pratica de entrismo, reconhecida).
APARTIDARISMO ISTO?
Um sindicato que está assim nos seus órgãos pode dizer-se apartidário?
Não ē.legitimo que, pelo menos, se duvide da independência do sindicato face ao partido (como tantos fazem para a Fenprof e para a FNE)?
E isso ser assim não é perigoso, dado o perfil do partido, bastante sectário? (É ler o site do partido).
Isso ser assim não explica certos desvios de foco em que o STOP fugiu aos problemas da educação e se pôs a falar de “greve geral” e outras “generalidades revolucionárias”?
O trotskismo de fundo não explica a aversão às negociações e as picardias com outros sindicatos? (os tipos de História às vezes esquecem que nem toda a gente estudou a sua disciplina, mas uma pesquisa simples permite perceber, por exemplo, a posição trotskista sobre negociações “com os capitalistas” ou o papel fetiche do conceito de “greve geral revolucionária”).
E é irrelevante, estatisticamente que seja, que um partido, que terá menos de 500 militantes e só 6000 eleitores (ex: o PAN tem uns 75 mil), junte tanta gente sua nos órgãos de um único sindicato?
Querem convencer-me que foi coincidência (com o entrismo em pano de fundo)?
Se houvesse tantos vianenses como há ativistas do MAS era legitimo pensar numa conspiração altominhota. Coincidência irrelevante seria dificil dizer que era.
O QUE DIZ O STOP.
A notícia da Sábado deu origem a um direito de resposta do STOP. Resposta verborraica, redonda e que para baralhar, foge ao ponto.
A pergunta essencial que eu faria
🎈é verdade ou mentira que esta gente toda é ativista, candidato, mandatário, dirigente MAS e ao mesmo tempo dirigente do STOP?
A resposta é sim. Logo o STOP não é, nem se pode dizer apartidário e, além da vontade dos seus sócios, tem de se perceber o peso real na sua acção dos dirigentes do MAS e das decisões internas transmitidas ao sindicato pela correia de transmissão que é este grupo largo de dirigentes (maioritário nos órgãos).
Quem disser que é apartidário só porque o André Pestana é simpático e o Daniel trabalhador deve dedicar-se à caça de unicórnios.
E para os que dizem que o STOP é uma familia sugiro que leiam as peculiares concepções trotskistas sobre a família. Talvez achem piada.
A MINHA CONCLUSÃO PESSOAL
Este problema, de que falo há meses e me deu graves problemas pessoais (até ameaças) é o mesmo exato problema que tive noutro sindicato de professores.
E para problemas iguais não interessa se são do “costume” ou “diferentes”.
O sindicalismo livre é pluralista, não tolera entrismos ocultos nem tutelas partidárias.