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O (A)brandão de Rodrigues na educação dos nossos filhos – Raquel Abecasis

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Entrados na segunda semana de aulas à distância e depois de quinze dias inúteis com as crianças em casa entregues a si próprias, confirma-se o pior. O Ministro da Educação, como de resto já nos habituou, preferiu apostar todas as fichas nos amanhãs que cantam e esqueceu-se de tratar da realidade.

Já aqui o disse, o Governo tem-se mostrado completamente incompetente na gestão do desafio que temos pela frente e o resultado, estamos todos a senti-lo na pele. Mas se há um campeão da incompetência no Executivo é Brandão Rodrigues.

Mais do que os danos na economia ou nas finanças, o Ministro da Educação conseguiu, com a sua ineficácia, comprometer uma geração inteira. Estudos recentes dizem que os alunos, particularmente os mais novos, vão sofrer um atraso correspondente a dez anos na sua formação.

O problema não está só no atraso irresponsável na encomenda dos computadores e routers para que todos os alunos possam acompanhar as aulas à distância. Na véspera de recomeçarem as aulas, ouvi mesmo, numa rádio, o representante dos directores das escolas apelar às câmaras mMunicipais para ajudarem, porque com o Ministério da Educação já não podem contar.

Enquanto uns trabalharam durante meses e encontraram soluções criativas para se adaptarem a um novo método de ensino, Brandão Rodrigues ficou agarrado às suas certezas marxistas e preferiu apostar na ideologia. Encheu a boca com igualdades e direitos. Deteve-se na teimosia de que as escolas não podiam fechar e, quando a realidade se impôs, quis, mais uma vez, adaptar a evidência às suas certezas, proibindo os que estavam prontos para prosseguir o seu trabalho de o fazerem.

Muitas escolas, privadas e algumas públicas, prepararam-se com tempo para o momento actual. Fizeram um balanço do que correu bem e mal no ano passado e introduziram as mudanças necessárias. Perceberam que não bastava transpor as aulas no seu formato normal para o ensino à distância. Aproveitaram o tempo do ensino presencial para recuperar atrasos. Alteraram métodos de ensino. Adaptaram os tempos lectivos. Reinventaram formas de aprendizagem, acompanhamento e avaliação. O resultado é que para estes alunos o prejuízo do confinamento vai ter efeitos reduzidos.

Mais de uma semana depois do reinício das aulas, o que se verifica é um enorme abrandão na educação dos pobres alunos que ficaram nas mãos de Brandão Rodrigues.

É imoral que o ministro não tenha preparado as escolas que são da sua responsabilidade para a hipótese de uma previsível nova interrupção. Se não pesasse mais a estratégia política do que o sentido de Estado, por esta altura já deveríamos ter um novo responsável da Educação.

Pobres alunos que estão entregues a este ministro. Em 2021, era de esperar que o membro mais jovem do Governo não tivesse ficado com a cabeça presa nos tempos do PREC.

A este propósito, há uma célebre conversa nos idos de 1975 entre Olof Palme e Otelo Saraiva de Carvalho que merece ser recordada. Otelo, de visita à Suécia, disse com orgulho ao primeiro-ministro que em Portugal estávamos a conseguir acabar com os ricos. Olof Palme respondeu: “Aqui na Suécia preferimos acabar com os pobres.”

É isto, senhor ministro da Educação, preocupe-se menos com os que fazem bem e aplique-se no seu trabalho.

 

 

 

Observador

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