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Nuno Crato. Ensino à distância pode ser positivo, mas apenas como complemento

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O antigo ministro da Educação Nuno Crato reconheceu que o regime de ensino a distância pode ser positivo, mas apenas se servir como um complemento ao ensino presencial, que disse ser aquele que funciona melhor.

“É bom que essa interacção seja muito bem estruturada”, defendeu, referindo a necessidade de definir os mesmos objectivos para os dois regimes e que essas metas sejam claras.

Para o antigo ministro da Educação (2011-2015), que actualmente lidera o projecto Teresa e Alexandre Soares dos Santos – Iniciativa Educação, este período tornou claro que o ensino presencial “é, sem dúvida, a melhor forma de funcionar”.

“Além da dinâmica do trabalho presencial e da relação que se estabelece entre professor e alunos, elementos que considera essenciais no bom ensino”, Nuno Crato acredita que a prevalência deste modelo é uma opinião partilhada por todos e que o sentimento generalizado, ao longo do 3.º período, foi o de nostalgia em relação ao espaço físico escola.”

“Nós temos saudades de salas de aula, onde possamos estar a falar directamente com os alunos, onde possamos ver por que é que os alunos estão preocupados, se estão a seguir as coisas, onde possamos manter um diálogo, onde possamos ir acompanhando as dificuldades. Temos saudades disso”, afirmou.

Nuno Crato não arriscou fazer previsões sobre como vai decorrer o próximo ano lectivo, mas disse acreditar que se em Setembro a situação epidemiológica no país não permitir que o ensino retome a normalidade, os alunos vão estar mais bem preparados para trabalhar com as ferramentas digitais.

“Acho que isso é uma coisa que as gerações adquirem com facilidade, e que ficou demonstrado durante este período que todos nós conseguimos rapidamente dominar instrumentos que são necessários para isso”, considerou.

A literacia digital é, aliás, uma competência que o antigo ministro considerou importante valorizar, mas sublinhou que a aprendizagem desses conteúdos deve ser feita no decorrer do ensino, sem prejuízo do conhecimento.

O bom currículo, acrescentou, deve ser acompanhado de objectivos claros e estruturados. “Depois disso é preciso interacção e, finalmente, é preciso perguntar e avaliar”, sublinha.

avaliação foi um dos temas que mais marcou o 3.º período lectivo, uma vez que, do lado da avaliação externa, o Ministério da Educação decidiu suspender todas as provas finais e exames nacionais do ensino básico e que as decisões sobre a avaliação interna foram passadas às escolas.

Nuno Crato absteve-se de comentar as decisões tanto da tutela como dos professores que optaram por não avaliar as matérias leccionadas em regime de ensino à distância, admitindo que o contexto é complexo, embora sublinhando que avaliar é essencial.

“Agora estamos num momento muito especial, mas o que é importante é que se perceba isto: Há um momento especial, ok, vamos voltar à normalidade. E a normalidade deve incluir o que o bom ensino inclui”, afirmou, referindo a avaliação dos alunos.

No tempo em que esteve à frente do Ministério da Educação, Nuno Crato foi responsável pela introdução dos exames do 4.º ano, em 2013, entretanto extintos pelo actual ministro, Tiago Brandão Rodrigues, logo em 2015.

Agora, o antigo ministro continua a defender a avaliação em geral, que entende ser essencial para os professores acompanharem o progresso dos alunos e para os próprios alunos perceberem em que matérias precisam de melhorar, mas também a avaliação externa, em particular, que disse introduzir uma maior equidade no sistema.

“A pessoa verificar-se a si própria é um incentivo a melhorar e eu acho que a avaliação deve ser vista nesse sentido. Acho que a avaliação é um incentivo a todos nós melhorarmos”, sublinhou, recusando que o contexto actual sirva de pretexto para repensar e desvalorizar este elemento.

Fonte: Público