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Nos cenários da sala de aula………

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Subo as escadas e entro na sala.

Entro na plataforma Inovar para escrever o sumário e fazer a chamada.

Os alunos entram, ocupam os seus lugares.

Alguns ficam de pé e retiram os seus pertences da mochila. 

Outros ainda estão levantados e a conversar para o outro lado da sala.

O tempo passa e o relógio já marca às 10:15.

Os últimos alunos que chegam a essa hora apresentam uma série de justificações para o seu atraso. 

  • Fui ao WC.
  • Estava fila no bar,
  • Havia muita gente nas escadas

 

E perguntam: 

  • Tenho falta?
  • Sim de atraso, respondo eu , após ser a décima vez que acontece este facto. 

 

Passam mais 5 minutos, a explicar as regras, ouvindo a contra argumentação dos alunos. 

 

Entre estas ações já escrevi o sumário e destinei a página do livro para trabalhar, ou projetei o Power point.

 

Alguns alunos ainda contra argumentam. 

 

-Ler? 

-Sim ler, respondo eu.

A leitura e interpretação de textos e enunciados é importante. 

 

Após a leitura da proposta inicial do livro, conto a minha história, o tema é os sólidos geométricos:

 

“Quando mobiliei a minha casa, tive de medir o espaço, porque poderia correr o risco de comprar mobília que não coubesse na minha casa. Situação que acontece com mais frequência do que as pessoas pensam. “

 

Depois de resolver e explicar o primeiro exercício, solicito aos alunos, que façam o seu resumo,  que consiste em esquematizar as fórmulas e esboçar os sólidos, por vezes o trabalho é feito a pares, mas nem sempre resulta depende das turmas e  das idades.

A elaboração do mapa conceptual é uma planificação do seu trabalho dentro do capítulo. 

 

Alguns alunos começam a realizar o seu trabalho, outros ainda não registaram o sumário, estão virados para trás a conversar.

Quando me dirijo a estes alunos, ouço:

  • Estou a passar. 

 

Outros esperam que eu resolva todos os exercícios do quadro porque têm dúvidas.

  • Já fizeste um exercício sem ajuda? – Questiono
  • Não. – recebo como resposta.

 

  • Nos teus treinos de futebol, quem joga? -pergunto eu.
  • Sou eu. – diz o aluno.
  • Aqui na aula é igual, vais ter de tentar fazer um exercício sozinho para ver e consegues. Depois de dar tempo para realizar o trabalho, um aluno fará no quadro e voltarei a explicar.

 

No meio da contra argumentação pelo facto da Professora ser injusta ainda se ouvem tiradas do género:

 

  • A Professora é injusta.
  • Vou dizer à minha mãe.
  • Vou fazer queixa de si ao Diretor. 

 

Quando eu ouço a última frase, ofereço logo a alternativa ao aluno, pode ir fazer queixa de mim, o aluno deve ter o direito a desabafar.

 

           Esta  é uma descrição do que acontece na sala de aula quando existem alunos que já perderam a esperança, não querem saber do estudo e não têm acompanhamento em casa. 

       

    Antes de escrever algo,  tenho como base os meus mais de 25 anos de trabalho,   bem como a minha rede de Professores. 

Os professores não lutam só pelo tempo de serviço.

 

Elisa Manero

 

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