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Ninguém fecha tanto quanto Portugal

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Se o desejo do Presidente da República se cumprir e as escolas não reabrirem antes da Páscoa, Portugal voltará a ser dos paí­ses da Europa com um fecho mais alargado e mais longo. Na primeira vaga, foi dos poucos que manteve o ensino à distância até final do ano letivo, depois de decretado a 16 de março, o que significou três meses e meio em casa para todos os alunos do ensino básico. Apenas os do 11º e do 12º anos regressaram em maio para algumas disciplinas.

No início de 2021 impôs-se como um dos seis países europeus sem aulas presenciais em todos os níveis de ensino. Só que desse grupo Alemanha, Áustria, Letónia e Roménia já voltaram a abrir, pelo menos parcialmente. Portugal e Lituâ­nia são os únicos sem planos para o fazer, com a diferença de que os bálticos não fecharam tanto tempo em 2020. É certo que Portugal chegou a ser o país mais afetado pela terceira vaga na Europa, mas, se assim ficar até 4 de abril, são mais dois meses e meio de ensino online no total.

Vários países optaram pela via digital mais cedo, como a Áustria, ainda em novembro de 2020. Só que já em fevereiro, mesmo com a pandemia acelerada, o chanceler Sebastian Kurz admitiu que havia chegado o momento em “que as crianças precisam de voltar à escola […], porque há aspetos sociais e psicológicos a ter em conta”.

As salas de aula reabriram e o país pôs em marcha um plano de autotestes, que os alunos devem fazer duas vezes por semana, usando um método pouco intrusivo, que troca a zaragatoa por um cotonete.

Na Alemanha, foram esta semana retomadas as aulas presenciais em escolas e creches de 10 dos 16 Estados, depois de outros dois terem aberto mais cedo, de acordo com a respetiva situação epidemiológica. O plano agora é acelerar a vacinação de professores e educadores. Há uma terceira abordagem, também gradual, mas que, em vez de olhar para regiões, olha para níveis de ensino, aproveitando a menor transmissibilidade do vírus entre os mais novos. É o que estão a fazer a Letónia e a República Checa, abrindo creches e escolas primárias.

DE UMA SÓ VEZ

Há países que optam por não repetir receitas, como Espanha, que não voltou a pôr os alunos em casa a não ser em caso de surtos. Em Madrid, esse método atingiu 25 mil crianças. Em França, as escolas também ficaram abertas, mas com um protocolo mais restritivo e a obrigatoriedade de fecho caso se detetem casos da variante britânica.

Inglaterra passa de um fecho total para uma abertura também total, anunciada esta semana por Boris Johnson para 8 de março. E nos EUA a vontade política de retomar o ensino presencial tem sido bloqueada pelos sindicatos dos professores em alguns Estados. Por lá, discute-se se menos infeções compensam mais crian­ças em casa. Por cá, o dilema entre o menor dos males segue dentro de momentos.

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