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«Não há tempo a perder. Não há educação sem professores» – Comissão Justiça e Paz

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Lisboa, 22 mai 2023 (Ecclesia) – A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) apelou hoje à valorização da carreira docente, defendendo um novo olhar sobre os professores, que ajude a “reconhecer a dignidade e a importância da sua missão”.

“Não há tempo a perder. Não há educação sem professores. E o futuro de um país depende do que for hoje a educação”, refere a nota intitulada ‘Dignificar a educação é cuidar o futuro’.

O texto, enviado à Agência ECCLESIA, assume o “momento delicado” que se vive na Educação, em Portugal, com “diversas problemáticas”.

“Está a terminar um ano letivo muito marcado pelas greves dos professores. O tempo dirá os resultados desta contestação”, pode ler-se.

As reclamações dos professores são conhecidas: melhoria dos salários e dos acessos a escalões de progressão na carreira de forma transparente e com equidade; a inclusão de 6 anos, 6 meses e 23 dias na contagem do tempo de serviço para progressão na carreira; o fim ou o atenuar das deslocações anuais para lecionar por esse país fora ‘de casa às costas’; maior clareza nas novas formas de recrutamento; menor burocracia”.

A CNJP, organismo de leigos católicos ligado à Conferência Episcopal Portuguesa, aponta à necessidade de medidas concretas, para evitar que “a fascinante carreira docente se transforme numa sucessão de tarefas burocráticas e pouco claras”, face a “contextos de sala de aula cada vez mais complexos e desafiantes”.

“Esta é uma classe profissional cuja dignidade e importância têm sido esquecidas, ou até desprezadas, nas últimas décadas. Importa agora reverter este esquecimento”, apela o documento.

nota aponta ainda a questões como a indisciplina, a autoridade do professor ou a avaliação.

“No curto prazo, urge dar respostas positivas às exigências atuais dos professores e criar um quadro de responsabilidades”, sustenta o organismo católico.

A Comissão Nacional Justiça e Paz propõe que se façam “pequenas reformas, adaptadas a cada realidade escolar”, a médio prazo, no “quadro de uma efetiva autonomia e responsabilização escolar”.

“Uma verdadeira flexibilização curricular implica meios e mais docentes capazes de dar corpo a uma diversidade de acompanhamento educativo e não pode ser uma forma de reduzir custos nem fabricar sucessos”, precisa o documento.

Para a CNJP, as mudanças devem incluir, a longo prazo, uma reformulação de “modelos de escola e formatos didáticos e pedagógicos”.

“Importa promover e testar modelos de organização e gestão escolar mais flexíveis, mais orgânicos, que respeitem a individualidade e a autonomia de professores e alunos. Modelos que tornem a vida dos professores mais interessante, vibrante e realizada”, pode ler-se.

O organismo católico recorda que o Papa lançou um Pacto Educativo Global, em 2020 – no qual Francisco propõe sete compromissos por um mundo diferente, na promoção do diálogo ente culturas, da paz e da ecologia integral.

OC