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Movimento cívico lança campanha para denunciar degradação da escola pública

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Cristina Mota, do “Missão Escola Pública”, diz que “muitas vezes não conseguimos sequer escrever no quadro porque a luz que incide não permite ao aluno visualizar o que é escrito, porque não existem estores ou estão degradados”.

O movimento “Missão Escola Pública”, criado em março deste ano por 13 professores do ensino público, lança esta segundafeira o primeiro de cerca de dez vídeos onde faz circular imagens da degradação de vários estabelecimentos de ensino por todo o país.

À Renascença, uma das porta-vozes do movimento, Cristina Mota, lamenta que “a grande maioria das escolas, infelizmente, tem as suas condições físicas muito degradadas e que precisam de intervenção já há muitos anos”.

Para a professora do ensino básico, as más condições das escolas prejudicam a aprendizagem das crianças e o trabalho dos professores.

“Nós não conseguimos leccionar uma aula nas mesma condições que se tivéssemos uma sala de aula onde se reunissem, em termos físicos, as condições ideiais. Ora está frio, ora está calor. Muitas vezes não conseguimos sequer escrever no quadro, porque a luz que incide não permite visualizar o que é escrito, porque não existem estores ou porque estes estão degradados.”

A docente acrescenta que “o mesmo acontece” com os alunos. “Um aluno que está na escola, com frio, que tem a sua cadeira ou secretária que não está em condições não consegue aprender da mesma forma que um aluno que está noutras condições.”

Professores preferem sair antes da reforma

O grupo “Missão Escola Pública” aponta ainda as condições dadas aos professores do ensino público. Para Cristina Mota, a profissão já não é atrativa, pelo que não estranha as vagas para professores ainda por preencher nas escolas — vagas concentradas, essencialmente, na região de Lisboa.

“São horários que não foram atribuídos logo na contratação inicial, portanto, não viram nenhum professor, a nível nacional, a manifestar intenção para leccionar esses horários. Julgo que uma das questões que poderá estar muito associada ao custo de renda nesta zona. Nós temos visto as rendas a aumentar e com um ordenado de cerca de 1200 euros que um professor vem ganhar não consegue, de forma alguma, pagar aqui uma renda”, explica.

A dificuldade para ocupar as vagas deve-se ao aumento do número de professores a pedir a reforma e à falta de atrativos para a profissão, defende a professora do grupo cívico que, a título de exemplo, cita um artigo do jornal Público para lembrar que foi atingido “o maior número de professores reformados em 10 anos”.

“Até agora, temos cerca de 2.200 professores que se reformaram e só este mês foram 400”, ressalta.

“Os professores estão a reformar-se num número muito maior e julgo que têm em conta, justamente, as condições de carreira e as condições nas escolas, que fazem com que muitos, até com as suas reformas reduzidas e com penalizações, prefiram saír do que aguardar o limite para a reforma, justamente para saírem deste sistema que está a degradar-se e que se está a tornar insustentável para os professores”, lamenta.

A falta de atratividade da profissão é outro dos problemas apontados, “que faz com que outros professores não entrem na carreira para substituir estes que vão saindo”, explica Cristina Mota.

Um dos fatores de atratividade referido pela docente é a contagem integral do tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira. Cristina Mota admite que “nem é preciso ser tudo de uma vez” e pede ao Presidente da República que continue a pressionar o Governo sobre o tema, considerando-o responsável pela instabilidade da carreira docente.

“A grande responsabilidade é do nosso Governo e da falta de investimento na carreira docente, e no bate-pé que tem feito desde o início destas supostas negociações em que foi completamente intransigente. Nós pediríamos [a Marcelo Rebelo de Sousa] que pressionasse o Governo. Ele já o fez, de alguma forma, com o veto e gostávamos que mantivesse o texto que escreveu nesse veto e que pressionasse o Governo, efetivamente, para abrir as negociações efetivas e que nos apresentasse um plano de recuperação do tempo de serviço que nós vimos a reivindicar há tanto tempo. Poderá não ser, de imediato, toda a recuperação. Nós já o dissemos e o senhor Presidente também já alertou o Governo para tal”, remata.

RR

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