Início Sociedade Mesmo em greve sejamos civilizados – Francisco Alves Rito

Mesmo em greve sejamos civilizados – Francisco Alves Rito

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Costumo avisar por respeito aos alunos, mas não o faço por obrigação porque não a tenho.


Para um pai que vai levar a filha à escola, primária no meu caso, custa ter de esperar, ao portão, até às 9h30 para ouvir a auxiliar dizer que a professora não vem, por causa da greve, e que as crianças não podem ficar na escola.

Depois de a criança se levantar cedo, da programação do horário e do percurso ser feito em função de a deixar na escola, do trânsito e dos incómodos, sofridos e provocados, pelas vicissitudes das dificuldades de estacionar na imediações, ficamos a saber que tudo isto era desnecessário.

No caso da escola da minha filha, em seis professores, quatro fizeram greve (e estão no seu direito) pelo que o número de pais envolvidos nesta situação, foram cerca de uma centena. Montou-se a habitual operação matinal de logística e transporte e o tradicional pandemónio de carros à porta, e perdeu-se mais um pouco da produtividade nacional, simplesmente para nada.

O que chateia não é o esforço ser vão, é o ser, parece-me, absolutamente desnecessário.

Sendo a greve um acontecimento programado, geralmente com mais de 30 dias de antecedência, porque razão os professores, e até os outros funionários da escola, não avisam as crianças que vão fazer greve no dia seguinte? Certamente não é apenas na madrugada do próprio que tomam essa decisão.

A greve é um direito extremamente importante que deve ser preservado e até incentivado, mas não avisar as crianças da própria sala, com quem partilhamos o ano inteiro e a quem temos o dever moral de ensinar cidadania e respeito pelo próximo, é algo que não consigo entender.

Certamente haverá uma razão, porque os professores não se estão a marimbar para os alunos e pais, mas confesso que não a consigo vislumbrar.

Fonte: DR