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Maior parte dos professores considera “inadequadas” medidas tomadas durante a pandemia

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A maioria dos professores faz uma avaliação negativa das medidas que foram tomadas pelo Ministério da Educação (ME) durante o último ano para responder aos impactos da pandemia nas escolas. Um estudo da Universidade do Minho, que é apresentado esta sexta-feira, mostra que as condições para o ensino à distância, durante o primeiro confinamento, e para a recuperação das aprendizagens, no início deste ano lectivo, merecem reparos dos docentes. Mas é sobretudo a falta de condições sanitárias nos estabelecimentos de ensino a causar as maiores preocupações.

A maior parte (43,9%) dos professores inquiridos considera “inadequadas” as medidas tomadas pelo ME no contexto da pandemia, ao passo que 35% dos docentes fazem uma avaliação positiva do trabalho da tutela. Os restantes 21,1% não quiseram emitir opinião sobre esta matéria. Estes dados constam do “estudo sobre as percepções dos professores no contexto da pandemia”, que é apresentado esta sexta-feira numa sessão onde estará presente o secretário de Estado da Educação, João Costa.

A avaliação da actuação do ministério compreende dois tipos de medidas tomadas no último ano, contextualiza o investigador da Universidade do Minho José Augusto Pacheco, que coordenou este trabalho. Por um lado, foi pedido aos docentes que analisassem a resposta dada pelas políticas públicas ao primeiro confinamento – recursos disponibilizados para o ensino à distância, condições de acesso a computador e Internet ou iniciativas como o #EstudoEmCasa, por exemplo. A avaliação também se centrou nas medidas tomadas no arranque deste ano lectivo, nomeadamente a nível pedagógico, nomeadamente para recuperação das aprendizagens, e das condições sanitárias existentes nas escolas. Da análise dos dados recolhidos, Pacheco conclui que é “sobretudo o facto de não existirem condições sanitárias” que contribuiu para a avaliação negativa feita das medidas tomadas pelo ME no contexto da pandemia.

Muitos professores “alertam para o incumprimento da regra de distanciamento social na escola”. E as críticas estendem-se também ao facto de não terem sido divididas turmas, de modo a reduzir o número de alunos presentes em casa sala de aula, bem como a circunstância de muitas escolas não terem feito um desfasamento de horários, que permitisse que estivessem menos pessoas presentes nos estabelecimentos de ensino de forma simultânea. Estas situações “contribuíram para a situação de risco de professores, alunos e funcionários”, entendem os docentes que responderem a este estudo.

Além de fazer perguntas directas, o que permitiu recolher dados quantitativos, os investigadores da Universidade do Minho incluíram também questões de resposta aberta, onde os professores podiam manifestar a sua opinião. O “número e dimensão” desses contributos “foi uma grande surpresa”, reconhece José Augusto Pacheco, revelando a vontade dos docentes em manifestar a sua posição sobre o impacto que a pandemia tem tido no seu trabalho.

A investigação que é apresentada esta sexta-feira é um “estudo exploratório”, explica Pacheco, destinado a “conhecer as percepções dos professores” e que pode agora dar origem a um “trabalho mais extenso”. As conclusões têm por base uma amostra de 280 professores, que aceitaram responder ao inquérito online, através de uma plataforma de formulários. O convite à participação dos docentes foi enviado através das duas associações de directores de escolas públicas. Os dados foram recolhidos entre 11 e 29 de Janeiro. Ou seja, ainda não reflectem a experiência do segundo confinamento.

Público

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