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MAIA “O barco já está a naufragar lentamente e o PSD não quer ver” – Carlos Ceia 

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“Dei uma oportunidade à casa da democracia portuguesa, levei o meu estudante da escola pública como testemunha e para ver ao vivo o funcionamento normal de uma sessão plenária, e assisti a uma manhã inteira da AR. Estava na agenda a petição para acabar com o projecto MAIA. A petição era clara e o prejuízo sentido por todos no dia a dia das nossas escolas era e é tão evidente que me pareceu valer a pena o sacrifício de aguentar duas horas numa discussão inútil sobre o reconhecimento da Palestina e outra menos inútil sobre as dunas de Ovar, quando, finalmente, decidiram apresentar argumentos pró e contra o “MAIA”.

Triste figura a do PCP, que mete cada vez mais dó, parece uma criança perdida no mundo, porque perdeu a noção do mundo real à sua volta. Querem mudar a “democracia” nas escolas (não percebi bem o argumento… se é que é possível perceber alguma coisa do que dizem estes deputados-fantasmas), antes de repudiar o projecto que mais dano causou à escola pública.

Tristíssima figura do PS, agarrado às suas próprias utopias, a uma escola que não existe, a um modelo de avaliação disruptivo para o qual todos foram empurrados de uma forma ou de outra, sacrificando a qualidade de todas as aprendizagens, mas, graças à “liberdade de escolha”, a nossa escola pública é a melhor do mundo. O pior é que o mundo acha que não é e os exames internacionais também não acham que sejamos grande coisa.

A maior desilusão foi a do PSD. Em vez de aproveitar a oportunidade (PAN, IL, LIvre e Chega acordaram em defender a suspensão do “MAIA”), decidem esperar para ver se se faz algum resgaste, se se faz alguma avaliazaçãozinha para salvar o barco. O pior é que o barco já está a naufragar lentamente e o PSD não quer ver.

Não sei ainda o resultado da petição. Já não tive mais estômago para ficar a ver. Demorou a ir assistir a uma sessão plenária da AR, vai demorar ainda mais a lá voltar. Fraquíssima qualidade geral dos deputados, mais preocupados em destilar ódios de forma vulgar e grosseira (a bacanda do CHEGA vale uma comédia de costumes!), do que em argumentar e contra-argumentar com classe e propriedade.

Podia dizer pedir-lhes que tivessem vergonha do que fizeram hoje PCP, PS e PSD, ao darem mais uma oportunidade ao desvario educativo em que caímos por força de más decisões políticas, mas acho que não iam compreender. Fiquei a imaginar: se me fosse dada a palavra ali mesmo, o que diria?

Diria que, com aqueles deputados, só haveria um caminho: implementar ali mesmo e agora uma avaliação MAIA de desempenho profissional de todos eles. E todos seriam obrigados a avaliação das competências dos seus pares, com muitos domínios e subdomínios, e com descritores com fartura, até lhes encher os miolos e a paciência. À frente de cada um, uma grelha permanente com 100 pontos de observação de todas as intervenções. Não haveria tempo para palmas nem insultos. Apenas cruzes e mais cruzes. Tudo pré-determinado pela ciência comportamental. Queria ver quanto tempo iria durar esse modelo brilhante de avaliação! E também se era assim, seguindo a lógica da senhora deputada do PS que falou em interpelação, que conseguiríamos os melhores deputados do mundo, tal como temos agora os alunos mais criativos do mundo, para alegria socialista da nossa terra generosa.”

1 COMENTÁRIO

  1. Já nada me surpreende o projeto Maia é uma incongruência. Quando um dos deputados na comissão de Educação -Pedro Alves de educação nada sabe.

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