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“José Matias Alves? Um de nós (ele ou eu) descolou da realidade.” – Luís Costa

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Não tenho absolutamente nada contra Matias Alves, mas a verdade é que não consigo ficar indiferente ao que, ultimamente, tem dito sobre a Escola. Por este caminho (tão distante da realidade), ainda vai acabar numa secretaria de Estado ou mesmo no lugar de ministro da Educação. Reformulo, porque talvez esteja a ser injusto: um de nós (ele ou eu) descolou da realidade. Talvez até seja eu, há tantos anos a dormir mal. Ainda assim, tenho o direito de dizer o que penso.
Li as primeiras cinco medidas por ele sugeridas na crónica hoje divulgada no público e já não tive coragem para ir mais além.
1- «Reduzir tempo letivo para que professores em idade legal de aposentação [em regra não mais do que três turmas] para que possam querer prolongar a vida ativa de docência e em apoio ao ensino. Há, certamente, milhares de professores que poderão, em regime de livre adesão, querer prolongar a sua vida na escola interrompendo um ciclo do fugir, logo que possível…». — Prolongar a vida ativa de docência em apoio ao ensino? Continuar na escola com idade para aposentação? Milhares de professores em regime de livre adesão? Interromper, com isto, o “ciclo do fugir”? Em que planeta tem estado, Matias Alves?
2- «Reduzir ao mínimo indispensável o tempo não letivo para os professores referidos em 1, de modo a que o tempo despendido na escola estivesse quase todo dedicado à lecionação». Só posso rir! 😊
3- «Bonificar este tempo acrescido de trabalho para efeito de cálculo de aposentação». — Mas… estes professores referidos em 1 não têm já idade legal de aposentação? Ou será para o cálculo do montante a receber na reforma? Ainda que assim seja, “ninguém” vai querer. Estamos todos pelos cabelos, Dr. Matias Alves!
4- «Retomar a medida excecional de profissionalização de professores para os grupos carenciados, através de programa de formação pedagógica passível de ser executado pelas instituições de ensino superior no prazo de execução de um ano». Vamos regressar aos anos 80?
5- «Recrutar professores aposentados por um período entre um e três anos e organizando um horário de trabalho conciliando um tempo letivo até 9 horas (…)». — Recrutar professores aposentados?! Vai contá-los, a nível nacional, pelos dedos das duas mãos. E já estou a ser generoso.
O que vem a seguir é «flexibilização», «operacionalização inteligente», «articulação horizontal» 😊, «formação», «empoderamento»…, enfim, sem pachorra para consumir.
Muito bem, tentem resolver o grave problema da falta de professores com cosmética, que vão no bom caminho. Não ataquem as verdadeiras causas (as vergonhosas misérias que têm feito aos professores, nos últimos dezassete anos), porque elas são o retrato mais fiel das miseráveis políticas educativas que têm sido seguidas. Continuem no mesmo caminho cego, em direção à catarata! Ou então (e isso, a mim, até me agradaria) sobrecarreguem ainda mais, muito mais, os professore que estão no ativo. Talvez assim eles se revoltem a sério e deem, ao sistema, a sapatada que ele, há muito, merece.

2 COMENTÁRIOS

  1. Começar por criticar um texto do Professor Matias Alves come esta afirmação “Por este caminho (tão distante da realidade), ainda vai acabar numa secretaria de Estado ou mesmo no lugar de ministro da Educação.”, revela total desconhecimento e completa demagogia. O texto refere-se a medidas concretas de curto prazo . O resto é … o tradicional discurso choradelas

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