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JOÃO COSTA E AS CONTAS DE VIGÁRIO!

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João, o Costa político,

Acedeu à convocatória, da Federação de Aveiro do Partido Socialista

Compareceu, sem a habitual guarda pretoriana, no auditório da Junta de Freguesia de Lourosa, para prestar contas à plateia.

Sentado entre camaradas, numa cadeira giratória, cerrou o punho e do alto do púlpito de contraplacado envelhecido, disse ao que vinha!

Costa, o João linguista,

Sobre um fundo negro, dissertou sobre a morfologia do orçamento e a semântica das contas de Estado previstas para 2024.

Ao jeito de um tendeiro empoderado anunciou ofertas e promoções, despesas a retalho e receitas especiais. Porém, sobre os calotes acumulados, as obras por erguer, os buracos que se aprofundam, o esbanjamento dos recursos públicos, a balbúrdia e a prepotência administrativa, nem um vocábulo!

 

João Costa, o empoderado tendeiro, 

vendeu o peixe, impingiu gato por lebre

derramou quilos de banha da cobra sobre a plateia

atirou tinta cor-de-rosa aos olhos de todos

lançou ao ar um arsenal de mercadorias imprestáveis

mas, assim que a comunicação Social saiu da sala,

abandonou as patranhas e perdeu o verniz!

O Ministro Demissionário da Educação,

que odeia a Classe dos professores,

está cada vez mais intolerante à participação cívica!

Não admite questões, não tolera contraditórios,

não aceita que duvidem da integridade da sua banha da cobra!

As interpelações à mesa, os braços no ar da plateia que queria falar, as vozes que encheram a sala de Razão, deixaram João, ministro por um fio, visivelmente nervoso e  irritado!

Porém, a irritação do “camarada socialista” não demoveu a intervenção dos docentes, que haviam feito centenas de quilómetros para acertarem contas com o Ministro!

Um Coletivo, em Lourosa

Diz, quem esteve presente, que o espetáculo foi dramático!

PS Presta Contas em Lourosa na voz de João Costa, por Carla Gomes

Desço as escadas de um pequeno auditório, em passo apressado e ainda sem jantar, et voilá: João Costa de microfones e câmaras apontadas para a Comunicação Social!

Interpelado, transpirava boa disposição, afirmando “não gostar de ver mais um ministro atingido com tinta!”. Até estamos em consonância nesta forma de pensar e relaxe, pois o me traz aqui são as medidas (não) previstas no Orçamento de Estado para 2024 e não, um qualquer ato de loucura!

JC, aparentemente relaxado, entra aos risos e abraços aos “camaradas”, sem antever que os “malditos” professores já tinham tomado de assalto o pequeno auditório.

Camarada JC, é assim que eles se tratam, apresenta um resumo das medidas previstas no OE na presença dos órgãos de CS. Assim que termina a exposição mediática, a  CS  sai da sala e a reunião continua à porta fechada, nesse momento a organização permite o debate e  o questionamento (sem contraditório, é certo!).

A apresentação segue o roteiro sem atropelos definido previamente pelo Costa Maior e Medina mas, uma ideia me fica a latejar nos ouvidos: ”Vale a pena estudar; Estudar, estudar, compensa em Portugal”. Talvez não compense, se não tivermos acesso a direitos básicos como a Habitação, Saúde, Justiça e Educação!

Chegou o momento tão aguardado! Interpelação à mesa e braços no ar!

Luísa Brandão, professora, afirma que contrariamente ao “camarada” JC, “Não vive num País das Maravilhas”. Interpela-o sobre quantos dos 300 milhões do dito reforço, chegarão mesmo às escolas, em recursos, técnicos e assistentes operacionais? A máquina do partido, agora sem CS, atira com um aviso: não é permitido filmar! O ambiente aquece e a indignação de uma professora na plateia superior sobe de tom! “Que liberdade é esta? É esta a democracia? Esconder os problemas reais?”

Chega a minha vez e não tendo preparado uma intervenção, não poderia ficar calada perante a oportunidade de obter algumas respostas às minhas inquietações. Aponto o desinvestimento desde há duas décadas na Educação; o percentual de despesa em Educação em relação ao PIB (atual 3% em vez de 6% sugerido na OCDE) e ainda, os resultados das avaliações internas a Português e Matemática em e após pandemia (jornal Público).

Sisudo, tenso, nervoso e consternado foi assim que o “camarada” JC foi sentindo a pressão dos lápis dos professores aqui representados! O desconforto e a cólera eram notórios no seu semblante e no dos seus camaradas da sala. A festa estava definitivamente estragada!

Após algumas intervenções de excelente qualidade (professor do ensino superior, ex-diretor e outros) e sempre no sentido de obter resposta para a inação desta governação, os ânimos encresparam-se!

Sofia Neves, professora, direta e objetiva, questiona JC: “Poderá adiantar-nos o nome do elemento que o irá substituir já que deixou de ser Ministro dos Professores de Portugal há muito tempo? Há muito que o senhor se demitiu das suas funções de Ministro da Educação! Para nós, só há uma solução que é a que envergo na camisola, semelhante às bandeiras e cartazes polémicos: “DEMISSÃO”.

“Camarada” JC transfigurou-se e em tom desesperado, perde o controlo e reagindo diretamente, de microfone em riste, atira para o ar que os professores na plateia não lhe são estranhos. Na sua malograda e desorientada intervenção, repleta de ofensivas avaliações de carácter e juízos de valor, coloca em causa a real motivação dos professores que têm marcado presença em dezenas de lugares, onde o têm confrontado. Perdido e sem argumentos, João Costa lança uma abusiva suspeição, alegando que a itinerância e persistência dos protestos dos professores, que têm calcorreado o país, poderá estar a ser financiada por partidos/sindicatos.

Segue-se Ana Brito, professora, que volta a reforçar os efeitos catastróficos da falta de democracia na gestão das escolas e dos hospitais. A gestão terá de ser devolvida aos profissionais que lá trabalham, em nome da salvação dos serviços públicos! Para que tal possa ser concretizado, a professora deixou uma sincera e genuína recomendação,  a equipa de governação deverá repensar a sua ação e, caso continue a dar sinais de incapacidade na resolução dos problemas que há 8 anos tem em mãos, não evitem mais o óbvio – apresentar a Demissão!

Não, sr. Ministro!

O que nos mobiliza e nos impele para a luta e é o foco de toda a sua preocupação, é a força da razão que nos vai no interior! Queremos uma melhor Escola Pública para as próximas gerações e não, uma Escola Moribunda!

Temos professores a dormir na rua e em parques de campismo; turmas sem professores a alguma disciplina; professores doentes e em burnout; falta de rigor e exigência nas aprendizagens; uma indisciplina crescente; falta de recursos; um crescendo de migrantes nas salas de aula sem apoios; uma “educação inclusiva” que exclui;… e daqui a  5 anos seremos menos 30 a 40 mil professores nas escolas!

Para onde caminhamos??? Que país estruturamos para o futuro?

Como lhe lembrei na minha interpelação à mesa: “Educação é o maior investimento que um país pode fazer”, palavras do Secretário Geral da ONU, António Guterres, numa qualquer cimeira, exortando os países de todo o mundo a aumentar o financiamento na Educação!

Valorizemos os professores que temos e os que hão de vir, os salários, a carreira, as condições de trabalho, e o resto advirá por si!

Nós não queremos ensinar, desmotivados nas escolas!

Queremos ser felizes!

Queremos professores e alunos Felizes!

AmamosAEscola

Carla Gomes, Professora

 

Um Coletivo, em Lourosa

NA RUA, PARA RESISTIR À BARBÁRIE! por Sofia Neves

Todos sabemos que o Ministro João Costa exerce responsabilidades no Ministério da Educação há 8 anos!

(De 26 Novembro 2015 a 30 Março 2022 como Secretário de Estado da Educação e desde 30 Março 2022 como Ministro da Educação.)

Ora 8 anos não são 8 meses!!

O ME não resolveu o problema dos professores, não por falta de tempo, repito são 8 anos!!
Só não resolve o problema dos professores por opção política , porque não quer OU porque não tem peso político dentro do governo e qualquer que seja o motivo, é um indicador de que é incapaz, é incompetente e NÃO DEFENDE a sua pasta.
A Rua afirma há meses que tem de sair.
Não são os cerca de 20 professores que estiveram no auditório… é a RUA!
Essa RUA que é o terreno de quem não tem agendas e que AINDA se exprime numa democracia cada vez mais atacada pelo governo!
A RUA tem milhares de profissionais da educação a exigir a Demissão.
Estão cansados de pseudo negociações, de engodo, de falsas medidas e esquemas de concurso que estão inundados de ratoeiras.

O que financia a garra e a força da RUA?
É o amor, a dedicação que cada PE tem dentro do seu coração.
E que contra tudo e contra todos persiste e resiste.
Uma paixão e uma dedicação que chega a ser irracional pois, compromete a vida pessoal de cada um que deixa a sua família, o seu lar e vai, sem medo, exaltar o que lhe vai na alma.
São viagens de derradeira paixão pela defesa da escola.
Porque ser professor, ser AO é uma missão!

E não nos venham dizer que não sabemos o que fazemos. Que assustamos Pais, EE e alunos.
Não, não assustamos.
Damos aulas a uma nação, na Rua, aulas de coragem, de resiliência, de cidadania e de defesa da democracia!

Quem somos, quantos somos?!
Somos uma nação que cada um leva consigo.
Somos a voz, os braços, as pernas daqueles que não podem ir ou dos que já não têm forças e capacidade para caminhar, porque foram sugados, explorados até aos seus limites!

Sofia Neves, Professora

 

Sr. Ministro, queremos saber quando vai apresentar a sua Demissão? na voz de Ana Brito, Professora