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JMJ | Há escolas que precisavam de reparações há anos a serem intervencionadas para as Jornadas

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As tomadas que estavam descarnadas foram arranjadas, há vidros novos a serem colocados nas janelas, uma porta emperrada que já funciona e até o autoclismo da sala de professores que há anos que não estava em condições foi substituído. “São reparações, mas só nos sítios onde os peregrinos passam ou estão”, avisa Cidália Luís, para explicar à SÁBADO que os arranjos feitos para receber quem vem para as Jornadas Mundiais da Juventude não chegam para deixar em condições a Escola do Bairro Padre Cruz, em Lisboa.

Cidália Luís, que além de professora faz parte do grupo da Missão Escola Pública, tem levado às últimas manifestações uma faixa com imagens que mostram a degradação da Escola do Bairro Padre Cruz. Alguns dos problemas foram agora resolvidos com a chegada de equipas de reparação. “Nunca os tinha visto por cá”. Mas nem tudo ficou arranjado.

Indignada, Cidália Luís fala em “falta de respeito pelos professores e pelos alunos”, não só por só agora se estarem a fazer arranjos que são reclamados há anos, mas também pela invasão de quem vem de fora e perturba o funcionamento da escola.

Professores a trabalhar em corredores

“Ficámos sem sala de professores”, conta a docente, relatando a forma como os colegas têm agora de “trabalhar em corredores”, porque a sala foi cedida a quem vem para as Jornadas.

“Não tenho nada contra os peregrinos”, ressalva, antes de questionar a forma como até as regras de funcionamento durante os exames externos (como as provas de aferição e os exames externos) parecem ter mudado durante as Jornadas. “Chegou a haver processos noutras escolas em que trabalhei porque se facilitava a entrada a encarregados de educação para ir à secretaria durante exames. Era a regra. Agora já se podem quebrar as regras?”, questiona, contando como na semana passada já havia peregrinos a circular pelo espaço escolar enquanto decorriam exames.

Agora, Cidália Luís já só teme que, quando as aulas recomeçarem em setembro, os projetores que foram retirados às salas em que ficarão os peregrinos não tenham ainda sido montados. “Não temos ninguém nas escolas que faça esse trabalho”, lamenta.

“Era bom que o Papa viesse todos os anos”

No Agrupamento de Escolas de Santo António da Charneca, Lucelinda Machado também nota os efeitos das Jornadas Mundiais da Juventude. “Habitualmente há arranjos no final do ano, mas nada como este ano”, relata à SÁBADO a professora, explicando que foram feitas pinturas de átrios, intervencionadas estruturas de jardim, puseram um toldo para fazer sombra num dos terraços, cortaram e podaram árvores. Até os bebedouros que há cinco anos precisavam de ser arranjados voltaram a funcionar.

“Temos o orçamento participativo, no valor de 500 euros, em que se pode pedir intervenções específicas. Estou nesta escola há cinco anos e quase todos os anos os alunos solicitam os bebedouros”. Até agora, nunca tinham tido sorte. No próximo ano letivo já terão água para beber no recreio. “Era bom que o Papa viesse todos os anos”, ironiza Lucelinda Machado.

No Agrupamento de Escolas de Santo António da Charneca ficarão, porém, algumas coisas por resolver. “Há cinco meses que demos o alerta para uma fuga de água. Falámos nisso aos funcionários que cá vieram, mas disseram que não era com eles”.

Escola com dois mil alunos só tem condições para 240 peregrinos

Na Escola Sebastião da Gama, em Setúbal, os problemas estruturais são tantos que, depois de uma vistoria, se resolveu cortar de 400 para 240 o número de peregrinos que ali pernoitarão durante as jornadas.

Jorge Bico, subdiretor da escola, explica à SÁBADO que há infiltrações, casas de banho que não podem ser usadas, equipamentos de ar condicionado que não funcionam, extintores fora do prazo de validade e já até ruiu o teto do ginásio. A Parque Escolar já lançou um concurso internacional para fazer as obras, que deviam ter começado em julho, “mas até agora nada”.

Por isso, conta Jorge Bico, a organização das Jornadas decidiu que “há poucas instalações sanitárias e duches” para receber 400 peregrinos, mas a escola “tem cerca de dois mil alunos aqui todos os dias”.

Missão Escola Pública fala em “falta de respeito”

A Missão Escola Pública fez um levantamento de pelo menos sete escolas em que há relatos de terem existido arranjos para receber peregrinos.

“Seria importante uma reflexão sobre o assunto, uma vez que existem várias escolas que não vão receber peregrinos e mantêm as necessidades de intervenção”, comenta à SÁBADO Cristina Mota da Missão Escola Pública, que fala mesmo em obras “para peregrino ver” e considera que estas intervenções feitas apenas para as jornadas são “uma falta de respeito que se tem para cada contribuinte e sobretudo para com alunos, encarregados de educação, professores e restantes profissionais de educação”.

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