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IL prevê “desgraça” na Educação

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Prefere não lhe chamar rentrée, porque ainda não foi de férias. Mas o líder da Iniciativa Liberal (IL), Cotrim Figueiredo, será efetivamente o primeiro a inaugurar esta sexta-feira a nova temporada política, dois dias antes da tradicional festa do Pontal, do PSD. A segunda edição da festa A’gosto da Liberdade terá como palco a Praia da Rocha, junto à Fortaleza de Santa Catarina, em Portimão, onde o momento alto será a intervenção de João Cotrim de Figueiredo.

O discurso, ao que o Expresso sabe, será marcado pela denúncia de degradação dos serviços públicos — desde o caos nas urgências à falta de professores —, com críticas ao Governo e ainda farpas ao bloco central. Mas não só. A ênfase na Educação prende-se com o início do próximo ano letivo dentro de semanas — uma “pequena desgraça” — antecipa a IL, com a previsão de falta de professores numa parte significativa de turmas e a preparação das jornadas parlamentares do partido, agendadas para 19 e 20 de setembro, sob o mesmo tema.

A nível da Saúde, Cotrim de Figueiredo deverá abordar o caos nas urgências nos últimos meses, nomeadamente nos serviços de ginecologia/obstetrícia de vários hospitais, e atacar as opções do Executivo sobre o SNS. Aliás, durante a manhã desta sexta-feira, o líder dos liberais reúne-se com a presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve, Ana Varges Gomes, para debater as dificuldades da contratação de médicos, assim como o estado em que se encontra o projeto do Hospital Central do Algarve.

A mensagem do líder da IL terá ainda como foco outra questão mais curiosa: a valorização da Administração Pública. Será de esperar que insista na necessidade de recolocar o Estado ao serviço das pessoas, através de trabalhadores mais motivados, melhor avaliados e mais bem remunerados. Mas também uma Administração Pública mais reduzida, longe dos 741 mil funcionários públicos atuais, um recorde da última década. E que promova a cultura de mérito e evite “nomeações por compadrio”.

Já no plano mais político, o liberal deverá voltar a tecer duras críticas à “propaganda” do PS e aos entendimentos do bloco central, depois de António Costa ter estado reunido durante mais de três horas no primeiro encontro com Luís Montenegro, o novo líder do PSD. Contra a “lógica do bipartidarismo”, apontará o dedo às políticas dos sucessivos governos do PS e PSD nos últimos 48 anos. Porque “se há responsáveis pelo país estar assim, é por causa dos dois partidos do sistema”, atira fonte do partido. De olhos postos na Festa do Pontal, Cotrim de Figueiredo deverá seguir, no domingo, o discurso do novo líder: com mais “curiosidade” do que “expectativas”, admite. “Gostava de contar com um parceiro não socialista e que fosse reformista. Coisa que o PSD parece que deixou de querer ser há muito tempo”, diz ao Expresso.