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Escolas. “O telemóvel não pode ser um intruso, tem de ser um convidado”

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Arelação entre os telemóveis e as crianças é um assunto que tem dado que falar. Cada vez em idade mais tenra, os tablets e smartphones são um acessório utilizado muitas vezes para fins recreativos nos tempos livres, dentro e fora de casa. No entanto, o espaço escolar tem sido também invadido pelos dispositivos móveis – um “tema complexo”, segundo o ministro da Educação, que pediu um parecer ao Conselho das Escolas.

“Acho que é um tema complexo e porque é complexo nós precisamos do saber de quem sabe, em particular dos professores e das direções [das escolas] que estão no terreno e, por isso, é que pedi este parecer ao Conselho das Escolas para não decidir por achismo ou de alguma forma intempestiva”, explicou João Costa.

Por entre cadernos, lápis e canetas, o telemóvel já é para muitos alunos parte do material escolar diário – situação que causa preocupação a alguns diretores, professores, pais e educadores – porém, a possível proibição da utilização nos estabelecimentos de ensino o é considerada excessiva pelos representantes dos diretores de escolas e encarregados de educação, que recomendam, no entanto, a adoção de regras.

Para Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), “proibir não é o caminho”. “Não devemos proibir simplesmente o uso em contexto de escola. O caminho é a sensibilização dos alunos e dos adultos também. Não são só os alunos que poderão estar dependentes deste instrumento de trabalho – já vimos muitos adultos que dependem desta máquina até de uma forma negativa”, alerta ao DN.

Apesar dos perigos dos dispositivos, Filinto Lima atenta que “há benefícios no bom uso do telemóvel em contexto de escola”, logo, a solução passa por sensibilizar os alunos e criar atividades lúdicas ou desportivas, para que não sintam a necessidade de usar a internet durante o tempo de recreio.

Mariana Carvalho observa ainda a utilidade dos telemóveis no sentido de os pais estabelecerem contacto direto com os filhos, especialmente em famílias monoparentais. Além disso, estes instrumentos podem ser um auxílio em caso de urgência. “Existem muitas particularidades como telemóveis que monitorizam situações de saúde, por exemplo, e temos que conhecer as realidades de cada escola e de cada criança”, frisa.

Ainda que demonstre preocupação com situações de segurança e cyberbullying, o ministro da Educação admite não ser “adepto da proibição, mas mais adepto da promoção de hábitos saudáveis” no mundo digital, de forma semelhante à perspetiva dos representantes dos pais e diretores de escolas. Uma vez que ainda não tem uma “posição definida” sobre o uso de telemóveis, aguarda-se agora o parecer do Conselho das Escolas.

DN