Início Educação Escolas estão a pedir menos professores, mas com menos sucesso nas colocações

Escolas estão a pedir menos professores, mas com menos sucesso nas colocações

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Os pedidos de substituição de professores apresentados pelas escolas atingiram o seu valor mais baixo nesta sexta-feira, mas a proporção de colocações face aos horários em falta também diminuiu.

Na reserva de recrutamento desta sexta-feira, a oitava desde Setembro, foram colocados cerca de 450 professores contratados, que é também o menor número desde Setembro.

Embora subsistam ainda mais de 20 mil professores por colocar nas listas da reserva de recrutamento, esta oscilação em baixa poderá ser a confirmação de que a oferta disponível está de facto a esgotar-se para várias das disciplinas mais requisitadas pelas escolas, como acontece com Informática, Geografia, História ou Português. Na reserva de recrutamento desta semana, os grupos com mais colocações voltaram a ser os do 1.º ciclo (149), Educação Especial (46) e Educação Pré-Escolar (41), que são também os que têm ainda mais docentes por colocar.

Em entrevista, na semana passada, à rádio Observador, o ministro da Educação, João Costa, indicou que, desde o início do ano lectivo, já foram colocados mais de 20 mil professores em substituição de outros docentes. Nas oito reservas de recrutamento já realizadas, foram colocados 13.530.

Para além deste concurso nacional, que se realiza semanalmente e onde os docentes estão alinhados em listas ordenadas segundo a sua graduação profissional (tempo de serviço mais nota do curso inicial), está também activa todo o ano lectivo a chamada contratação de escola. Neste concurso, os candidatos respondem directamente às ofertas publicitadas pelas escolas independentemente do seu lugar na lista graduada, mas o critério de desempate para o recrutamento é a graduação profissional. Isto no que respeita aos professores profissionalizados.

Pelos menos, seis mil sem qualificação profissional

O Ministério da Educação não divulgou ainda quantos professores já foram recrutados por via da contratação de escola, o mecanismo em que a tutela apostou para ter mais professores nas escolas neste ano lectivo. Nomeadamente, abriu a porta a candidatos sem habilitação profissional do ensino. Por não terem esta qualificação, estes candidatos não podem concorrer aos concursos nacionais e não constam por isso das listas da reserva de recrutamento.

Para a contratação de escola, podem também ser “desviados” docentes com qualificação profissional, mas que não aceitaram a colocação que lhes foi atribuída na reserva de recrutamento. O que acontece nomeadamente quando estas colocações são em escolas distantes da zona de residência e em horários reduzidos, que não chegam para compensar as despesas da deslocação.

Já na contratação de escola, estes docentes podem escolher a escola e o horário. Consultando as listas das reservas de recrutamento já efectuadas, verifica-se que desde o seu início só cerca de 900 docentes saíram deste concurso por, entretanto, terem aceitado colocação em contratação de escola. Supondo que os 13.530 colocados nas reservas aceitaram o lugar, o que muitas vezes não acontece, e somando estes aos 900 professores com habilitação profissional que saíram para a contratação de escola, pode-se tirar esta conclusão: dos 20 mil professores colocados em substituição apontados pelo ministro, pelo menos cerca de seis mil não têm qualificação profissional, que actualmente é atribuída pelo mestrado em ensino.

Notícia corrigida às 20h22. Corrige critérios de recrutamento na contratação de escola.

Público