Início Educação Ensino em Pandemia | Algumas consequências no desenvolvimento dos Alunos

Ensino em Pandemia | Algumas consequências no desenvolvimento dos Alunos

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O término deste ano, em tudo atípico aos demais vividos, conduz-nos a uma retrospetiva e consequente reflexão de tudo o que nele aconteceu, desde logo pela forma como decorreu grande parte do processo de ensino e aprendizagem dos nossos alunos.

Se, por um lado, foi possível estabelecer conexão, com maior ou menor frequência, com todos ou quase todos os alunos de uma turma; por outro, essa expetativa ficou bastante defraudada em determinados contextos escolares, cuja situação económica definiu as desigualdades latentes.

Com efeito, o desafio de superação foi desejado por todos, embora apenas ultrapassado por alguns, por razões alheias aos próprios, que em jeito de reinvenção enveredaram pelo desconhecido, proporcionando o possível e até o impossível, a quem aguardava as suas orientações.

Nesta conjuntura pandémica muito ficou por viver no E@D, sobretudo em termos sociais, não sendo possível imaginar a ESCOLA, local de aprendizagem formal, informal e não formal, isenta das premissas de socialização, partilha, entreajuda, cooperação, intervisão, entre muitas outras, essenciais ao ser humano.

De regresso ao ensino presencial, para contentamento de todos, e parcialmente resolvido o problema do distanciamento físico entre docentes e discentes, manteve-se a dificuldade, parafraseando Arends (1995), em promover o comportamento cooperativo que permite desenvolver melhores relações grupais entre os alunos e, simultaneamente, ajudá-los na sua aprendizagem escolar.

Por conseguinte, deixou de ser possível, temporariamente, assim se espera, a proposta de atividades que fomentam as interações sociais entre os alunos e o seu pleno e harmonioso desenvolvimento cognitivo, pois a sala de aula tornou-se um complexo labirinto de secretárias fisicamente distantes entre si, onde a organização dos materiais prevê o usufruto individual e os de uso coletivo ficaram inacessíveis ou são constantemente cobertos de desinfetante pelas mãos dos seus utilizadores. Por sua vez, os espaços de recreio passaram a contemplar o mínimo de turmas possível, cada uma na sua “bolha”, invalidando o contato com outros pares com quem existia uma maior proximidade.

Neste contexto, o trabalho cooperativo tem vindo a revelar-se uma miragem, nomeadamente para os mais novos, ainda com reduzida autonomia, por requerer a junção das crianças e um apoio permanente dos professores que também enunciam receios de contágio no contacto com idades em que não existe a obrigatoriedade de utilização de máscara.

Já os alunos mais velhos, vão conseguindo minimizar esta realidade no exterior do espaço escolar, pelo recurso ao online, através do qual realizam muitas das tarefas propostas em grupo.

O potencial da aprendizagem significativa ficou suspenso nesta pandemia, o que implicará um trabalho ainda mais profundo e envolvente, nos anos vindoiros, para a desejável recuperação de tudo o que ficou por experienciar ao longo destes meses e dos que virão.

 

Andreia Araújo