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Ensino à distância: “Foi o possível, mas teve coisas fantásticas”

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Nuno Crato está preocupado com o próximo ano letivo e reclama uma avaliação aos alunos que estiveram confinados, para depois recuperar o que ficou por aprender. Adepto da concorrência entre escolas, elogia o “altruísmo” dos professores que “de um dia para o outro” conseguiram colocar o sistema de ensino a funcionar remotamente. O antigo ministro da Educação foi o convidado do episódio desta semana do podcast “Money, Money, Money”, para falar dos efeitos da pandemia na educação. Um problema que num futuro próximo pode custar 2% ao produto interno bruto, se não for resolvido.

Otimista, Crato não desdenha dos efeitos da pandemia nas escolas, mas lembra que “mesmo nos desastres, há sempre algo positivo para evoluir”. Surpreso com os “poucos dias” que o sistema de ensino levou a “adaptar-se”, atribui o mérito as “professores, pais e jovens”. Crato assume que foi “um remoto forçado” e trouxe menos benefícios do que o ensino presencial. Cita estudos e investigadores para sustentar que o ensino presencial é o melhor para os alunos, mas extrai uma lição. Faz todo o sentido manter o ensino à distância, como alternativa para alunos que “ficam doentes, que não se podem deslocar ou que querem completar a formação numa escola mais longe”.

O grande estudo que aponta vem dos Países Baixos e concluiu que “houve um progresso menor, de oito semanas” com o ensino à distância. “As perdas de aprendizagem são enormes” e no futuro, entre os vários cenários destacados, elege o da OCDE que aponta para “2% do PIB dos próximos anos comprometido”. Mas é possível “recuperar, acelerando e não remediando”. Tornar o ensino “mais exigente e concentrado nos temas essenciais”. Primeiro “é preciso avaliar e saber em que ponto estamos”, sustenta. Um diagnóstico “ao país inteiro” com testes de aferição. Depois de “sabermos o que se perdeu” é preciso “acelerar” a aprendizagem. Não “um voltar atrás”, antes “recapitular e reexplicar”. Objetivos curriculares “claros e ambiciosos”, com encorajamento dos pais. “É difícil”, depende das idades, mas é possível “recuperar e atenuar o agravamento, incluindo nos alunos com mais dificuldade”. Crato reconhece que “nem todos os alunos cabem nas melhores escolas”, mas, clarifica, a origem social “não é fatalidade” para uma boa aprendizagem. Tem dúvidas sobre o cheque ensino, “medida que não é fácil de implantar” e defende a possibilidade de escolha nas escolas públicas. “A concorrência beneficia todos.” Importante é que “haja formação e avaliação, que se perceba o que as escolas estão a fazer para aumentar o grau de formação dos seus alunos”. E contar com a “dedicação” dos professores à educação, “fator subestimado”.

Reconhece que “o que aconteceu” com o ensino remoto “foi o possível, mas teve coisas fantásticas”. E quando voltarmos “plenamente” ao ensino presencial, o país vai tirar partido dos instrumentos que a pandemia impôs. Como a maior disponibilidade da tecnologia, incluindo “aulas para tirar dúvidas a partir de casa”.

Crato aceita que a vacinação tenha começado nos professores do Básico e Secundário, mesmo que “um professor de 30 anos tenha prioridade em relação a um de 68”. Dúvida apenas uma: “Porque raio é que ainda não temos vacina para todos?” Ouvir aqui.

Governo vai gastar 1,7 vezes mais

FINANÇAS A adoção de medidas mais robustas na mitigação dos efeitos da pandemia face ao previsto na Proposta do Orçamento do Estado “deverá ter um impacto desfavorável no saldo das Administrações Públicas de 6118 milhões de euros (-2,9% do PIB) em 2021”, considera o Conselho de Finanças Públicas. “Um montante que é 1,7 vezes superior ao que estava previsto”, nota a entidade presidida por Nazaré Costa Cabral. O CFP considera que “cerca de 60% do impacto desfavorável agora previsto para 2021 decorre de medidas adotadas no contexto da pandemia (-3697 milhões de euros; -1,7% do PIB)”. Ler aqui.

Autarca do Seixal critica APA e CCDR

TERRITÓRIO O presidente da câmara do Seixal, Joaquim Santos, diz que em vez de serem parte da solução, as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e a Agência Portuguesa do Ambiente só atrapalham a vida de quem quer decidir licenciamentos, e que os seus presidentes têm mais poder que alguns ministros.“Se tivéssemos aqui desburocratização em vez de centralização de poderes, o processo de decisão sairia a ganhar.” Ler aqui.

O tecido pode ser um ecrã, diz a China

INOVAÇÃO Investigadores chineses criaram um tecido com propriedades luminescentes condutoras e flexíveis que funciona como um ecrã têxtil. O desenvolvimento, apresentado na revista “Nature”, usa a técnica da tecelagem, promete acabar na roupa usada no dia a dia e mostra que “a China também é uma fábrica de inovação”, comenta César Araújo, presidente da ANIVEC, associação que representa a indústria da confeção e vestuário. Ler aqui.

Expresso

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