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Ensino à Distância – Crónicas de um falhanço esperado – Joaquim Teixeira

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Romanos, séc. III a.C.: “Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa, nem se deixa governar!”
A 9 de Abril de2020, o primeiro-ministro António Costa assumiu um compromisso. Leram bem. Não foi uma promessa. Foi um compromisso. “Aconteça o que acontecer”, no próximo ano letivo vai estar “assegurada a universalidade do acesso às plataformas digitais para todos os alunos do ensino básico e secundário” (António Costa, Abril 2020).
Em Janeiro de 2021, quando teimavam em não encerrar as escolas alegando que não eram foco de contágio, cedo se percebeu que a verdadeira razão era só uma. Os alunos não tinham os computadores que necessitavam e que haviam sido prometidos. As aulas online recomeçaram no dia 8 de Fevereiro sem que tal esteja cumprido. Lembram-se na campanha eleitoral ouvir falar em “Palavra dada é palavra honrada”? Pois…
Como se isto não fosse suficiente para cobrir qualquer um de vergonha, o próprio Tiago Brandão Rodrigues, Ministro da Educação, garante que nunca foi contra o ensino à distância e que essa acusação era até um “ultraje”, isto depois de o proibir no período de “férias letivas” de 22 de Janeiro a 5 de Fevereiro, e de ser notícia por todo o mundo! Conseguiu dizer isto sem se rir…
Por coincidência (!), no mesmo dia, o Ministério de Educação realizou 3 ajustes diretos no total 62,5 milhões de euros para entrega de equipamento informático (com prazos contratuais de 730 dias). Ou seja, sem concurso público. Só podia dar asneira, com férias letivas a serem “decretadas” como consequência de uma falta incompreensível de ação (no caso, aquisição de equipamentos informáticos prometidos num ano e adquiridos no seguinte).
Para além disto, a falta de indicações claras sobre os tempos letivos síncronos e assíncronos nos diversos anos letivos, está a levar à loucura pais, alunos e professores.
A insatisfação manifesta-se muitas vezes sob a forma de inúmeras queixas e reclamações, sobretudo face a medidas avulsas, sem critério, sem planeamento e sem congruência ou validade interna, tomadas pelo ME/Governo, em particular pela figura de um Ministro, cuja escolha resultou de um contundente e dramático “erro de casting” que só não tem um fim por teimosia do PM!
Também a gestão das escolas está novamente a ser posta à prova para resolverem os problemas criados pelo ME. Para além disso, aqueles que os deviam representar e /ou defender, continuam com “agendas políticas”, umas mais ocultas do que outras, sobrepostas à defesa isenta e apartidária dos interesses dos seus representados e dos alunos. É por isso que são olhadas com reserva e com desconfiança por grande parte dos professores.
Dessa forma, parece ser lícito inferir que, de um modo geral, os professores não confiam nem em quem os tutela, nem em quem, teoricamente, os representa…
Restam, então, eles próprios, os encarregados de educação, os alunos e alguns municípios/autarcas que vão colmatando algumas falhas.

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