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Educação, o bombo do Governo – Lídia Pereira

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Setembro é o mês do regresso às aulas, no qual milhares de famílias regressam à rotina e confiam no Sistema Educativo para a educação dos seus filhos.

É, portanto, uma boa oportunidade para refletirmos sobre o que tem acontecido com a escola pública nos últimos anos. Comecemos pela oferta de manuais escolares, que, só por si, é altamente questionável do ponto de vista da justiça social. É justo que estejamos todos (os mais pobres também pagam impostos), a financiar os manuais de todos os alunos do ensino público, mesmo das famílias com mais rendimentos? Deve quem menos tem, financiar quem mais tem? Não creio. Acumula-se a isso que o programa tem demonstrado problemas graves de funcionamento, na plataforma MEGA, nomeadamente com os livros de 3.º e 4.º anos. Uma ideia de justiça e implementação questionáveis, no mínimo.

 

Pior que isso, as comunidades escolares debatem-se com graves problemas de recursos humanos. O ano letivo arranca com milhares de professores em falta, nomeadamente de disciplinas críticas como Português, Matemática ou Informática. Também aqui o Governo socialista agrava as desigualdades face aos alunos do ensino privado, no caso, por mera incompetência. Não há, com as ferramentas informáticas disponíveis hoje em dia, razão alguma, a não ser falta de competência, para que a esmagadora maioria dos professores não esteja colocada vários meses antes do término do ano letivo anterior. Obviamente, além dos problemas de aprendizagem que esta situação provoca, obriga a milhares de professores a, em poucos dias, encontrar casa, por vezes, a centenas de quilómetros da sua morada.

Adicionalmente, temos um grave problema demográfico que não foi acautelado pelo Governo. Desde janeiro, mais de 2000 professores aposentaram-se, muitos deles até antecipadamente fruto do cansaço, da desilusão e da falta de reconhecimento social, diria mesmo a degradação, a que os últimos anos têm prostrado a nobre profissão docente. Infelizmente, a falta de consideração governativa, desvalorizando socialmente a classe docente, ajuda à falta de respeito muitas vezes vivida pelos professores nas salas de aulas e no atendimento aos pais.

 

Podemos ainda refletir sobre o não-reconhecimento do tempo de serviço, nem tampouco de forma faseada, aos professores. Aliás, nem para efeitos de pensão! O Governo arrasta um problema por mera birra política e oposição aos professores, visto desde 2019 (quando António Costa ameaçou demitir-se por esta razão), largos milhares de professores se reformaram, sem esse tempo de serviço e muitos outros abandonaram a profissão. O universo hoje abrangido seria significativamente menor e, assim, também menor o impacto orçamental. O socialismo destratou os professores, porque pensa no futuro como o sítio para onde se atiram os problemas de hoje.

De resto, não sei se todos os jovens e as suas famílias compreenderão os graves impactos que os erros governamentais socialistas têm nos seus percursos, prejudicando-os no seu presente, mas fundamentalmente no seu futuro.

 

E como o Governo já se vira para Bruxelas para resolver todos os problemas, – haverá maior sinal de incompetência assumida? – , será que também vai pedir ajuda para colocar professores a tempo e horas, construir residências, reconhecer o tempo de serviço e recuperar aprendizagens da pandemia? Portugal e os seus alunos merecem melhor.

DN