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Educação e tecnologias digitais – Pedro Patacho

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Acumulam-se evidências de que a excessiva exposição aos ecrãs e às tecnologias digitais tem consequências negativas para a saúde, para os processos de aprendizagem e para o desenvolvimento global das crianças e dos jovens. Com base em estudos e dados recentes, o Governo sueco decidiu reintroduzir os manuais em papel nas escolas e promover um maior equilíbrio entre recursos educativos digitais e outros não-digitais. A discussão está na ordem do dia. A UNESCO acaba de publicar um relatório no qual alerta para os malefícios da excessiva exposição ao digital. Defende, inclusivamente, que os smartphones sejam proibidos nas escolas, o que estima já estar a acontecer em cerca de 16% dos 200 sistemas educativos estudados. Entre nós, a petição pública “Viver o recreio escolar, sem ecrãs de smartphones!” conta já com 19 000 assinaturas.

Não obstante tenhamos vivido, nas últimas décadas, uma euforia educacional em torno da implementação de tecnologias digitais nas escolas, isto aconteceu, na verdade, sem o adequado suporte em evidências. Começamos agora a ter acesso a estudos que apontam os impactos da utilização massiva das tecnologias digitais, seja na escola ou fora dela, no desenvolvimento das crianças e dos jovens. Este tema é sério, tem implicações nas gerações mais novas e requer a tomada de decisões políticas. Por um lado, relativamente à organização da educação escolar. Por outro, relativamente a recomendações às famílias com filhos. Perante as evidências que se acumulam, não é possível que o país fique indiferente.

À luz das evidências que se vêm acumulando, devemos mesmo questionar a decisão de entregar aos alunos milhões de equipamentos e acessos à internet, sem qualquer enquadramento ou orientação, sem um plano, sem a preparação das escolas, dos docentes e das equipas escolares.

Não podemos ignorar a revolução digital que aconteceu, que se impregnou nas nossas sociedades e que invadiu todas as esferas da vida humana. Nem podemos cair na armadilha de banir totalmente as tecnologias digitais das escolas, criando um ambiente escolar artificialmente distinto da vida quotidiana dos alunos. Mas precisamos de impedir o uso excessivo de tecnologias digitais e promover o equilíbrio na utilização de recursos pedagógicos, por forma a não comprometer o desenvolvimento harmonioso dos alunos.

À luz das evidências que se vêm acumulando, devemos mesmo questionar a decisão de entregar aos alunos milhões de equipamentos e acessos à internet, sem qualquer enquadramento ou orientação, sem um plano, sem a preparação das escolas, dos docentes e das equipas escolares. É que quando as tecnologias digitais entram na sala da aula e nas vidas escolares dos alunos, deve ser claro para todos porquê, o que lá estão a fazer e como se relacionam com o contexto educativo mais amplo.

DN