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Educação de alto risco – Rosália Amorim

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Na educação, as escolas temem a falta de pessoal. Há cerca de dez anos que não se reformavam tantos docentes mesmo antes do arranque de mais um ano letivo. Desde janeiro, mais de 2 mil professores abandonaram as salas de aula. Desiludidos, desencantados, sem se sentirem reconhecidos, preferiram abandonar o que para muitos foi uma paixão a vida inteira: ensinar.

Sem um bom ensino, o falhanço de um país – seja ele qual for – anuncia-se. De que vale ter universidades públicas nos melhores e mais credíveis rankings do mundo, como o do Financial Times, se a educação de base é fraca ou muito fraca? De que vale contratar os melhores professores internacionais para tornar o ensino superior público mais cosmopolita e competitivo, se os meninos e meninas chegam lá (ou nem sequer chegam) com aprendizagens em atraso e dificuldades em chegar ao final de uma licenciatura? Na educação, tal como na construção de uma casa, não se pode começar pelo telhado.