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ECDC: “Fechar as escolas para controlar a pandemia deve ser o último recurso”

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O Centro Europeu para a Prevenção e Controlo da Doença (ECDC) afirma que o “consenso geral continua a ser que a decisão de encerrar as escolas para controlar a pandemia de Covid-19 deve ser usada como último recurso“, segundo um relatório da organização divulgado esta quinta-feira.

As potenciais vantagens de fechar os estabelecimentos escolares para crianças até aos 18 anos são largamente ultrapassadas pelos impactos negativos a nível de saúde mental e física e na educação das crianças, assim como o impacto económico na sociedade em geral. Assim, o ECDC recomenda que os estabelecimentos de ensino se preparem ainda melhor para o próximo ano letivo — distanciamento físico, evitar salas de aula muito cheias, entradas desfasadas, máscaras e ventilação, a mantêm-se como as medidas de base.

Enquanto medida de último recurso, o encerramento das escolas pode contribuir para a redução da transmissão do SAR-CoV-2, mas por si só é insuficiente para prevenir a transmissão comunitária na ausência de outras intervenções não-farmacológicas e da expansão da cobertura vacinal”, conclui o terceiro relatório do ECDC sobre “Covid-19 nas crianças e o papel dos estabelecimentos escolares na transmissão”.

O relatório destaca, inclusivamente, que o impacto do encerramento das escolas na contenção da pandemia foi maior na primeira vaga do que na segunda e considera que a implementação das medidas de higiene em vigor (com as escolas a funcionar) já permitem a diminuição do risco de transmissão.

“A disseminação de SARS-CoV-2 nas escolas é limitada quando estão implementadas medidas de mitigação adequadas”, refere o relatório, que admite que seja difícil detetar se a origem do surto foi a escola ou a comunidade. É acrescentado que é mais provável ser um professor a iniciar um surto na escola do que um aluno.

Os autores do relatório reconhecem, no entanto, uma limitação: a maior parte da informação disponível neste momento e usada na análise é anterior à disseminação da variante Delta. Considerando que esta variante pode atingir mais as crianças do que as anteriores, como alguns países têm reportado, o ECDC recomenda “cautela na interpretação dos resultados reportados”.

 

As crianças podem ser infetadas e transmitir o vírus, mas têm geralmente doença menos grave e, consequentemente, menos casos de internamento e morte do que outras faixas etárias. O relatório admite, no entanto, que o impacto que uma infeção com SARS-CoV-2 em idade pediátrica poderá ter no futuro ainda não é conhecido e deve ser alvo de estudo prioritário.

No relatório é reforçada a necessidade de testagem dos casos sintomáticos, do rastreio dos potenciais contactos e do isolamento das pessoas infetadas ou suspeitas de infeção. E recomenda que se considerem não só os funcionários das escolas e as crianças, mas também os cuidadores.

Além disso, o ECDC lembra que as “as escolas têm um papel chave no desenvolvimento do pensamento crítico, assim como na literacia em ciência e saúde, como meios de combater a desinformação sobre a pandemia e outros temas relacionados com a saúde”.

Observador

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