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Diretores escolares acusam líderes políticos de desprezo pela Educação

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Escassez de professores, aposentações em número recorde (ver caixa), alunos sem aulas por falta de docentes e carência de recursos humanos são, para Filinto Lima, alguns dos problemas “graves” do setor da Educação e que têm “passado ao lado” dos debates pré-eleitorais. “Os líderes políticos deviam aproveitar estes debates para falar sobre um tema essencial a qualquer sociedade democrática. Já se percebeu que a situação do tempo de serviço será resolvida, mas os problemas da escola pública vão muito para além disso”, afirma o responsável.

O líder da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) quer respostas às dúvidas de professores, pais e alunos, num debate “sério” sobre a escola pública. “Que mudanças vão implementar os partidos políticos se ganharem as legislativas? Haverá apoios para professores deslocados? O currículo dos alunos vai manter-se? E as provas em suporte digital vão continuar? O estatuto do aluno mudará? Que medidas concretas têm para apresentar?”, são algumas das questões que a ANDAEP quer ver esclarecidas.

Para Filinto Lima, um pacto na Educação é obrigatório e “não seria difícil de concretizar”. “Já todos os partidos afirmaram ser possível a recuperação dos 6 anos, 6 meses e 23 dias. Então porque não concretizam esse entendimento num pacto?”, questiona, afirmando que, a acontecer, seria um ponto muito positivo para a escola pública.

O dirigente lamenta a falta de discussão sobre os “reais problemas atuais da escola pública” e o “desprezo dos líderes partidários”, afirmando não entender esse “silêncio”, quando o país está a “atravessar uma grave pandemia por falta de professores”. “Há uma pandemia na Educação e é preciso um antídoto. Esse antídoto passa pelo aumento de ordenados dos professores – principalmente nos primeiros escalões de vencimento – e por apoios na estadia e deslocação dos docentes. São pontos essenciais para que os nossos jovens queiram abraçar a carreira docente. E todos sabemos que quando não há antídoto, o vírus alastra”, alerta.

“Menos Estado e mais Educação”
Filinto Lima acusa ainda os líderes políticos de falta de clareza nas propostas apresentadas. E exemplifica: “Há promessas em relação ao tempo de serviço congelado, mas não há propostas concretas de resolução. Falam em defesa da escola pública, mas não especificam como, nem de que forma vão fazer face ao recorde de docentes aposentados. Precisamos de menos Estado e mais Educação e que os líderes se atravessem em relação ao apoio na estadia e deslocação. Acho que não fizeram o trabalho de casa. Defesa da escola pública em quê? Concretizem!”, conclui, na esperança de ver dissecados os problemas da Educação nos próximos frente-a-frente. Até porque, diz, “ainda há tempo para corrigir os erros”.

DN