Início Educação Desconfinar e abrir escolas. Como é que os outros países decidem?

Desconfinar e abrir escolas. Como é que os outros países decidem?

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Desde 15 de janeiro, quando Portugal entrou em novo confinamento, que a análise de risco por regiões, em vigor desde novembro, não serve de base às decisões do Governo. Até esse dia, as medidas para travar a propagação do novo coronavírus baseavam-se num mapa colorido que, consoante o número de infeções por 100 mil habitantes, determinava o grau de risco em que cada concelho se encontrava: moderado, elevado, muito elevado e extremamente elevado. Esse mapa continua a ser feito, mas não tem sido ele a balizar as medidas tomadas.

 

Disso mesmo deu conta a diretora da Escola Nacional de Saúde Pública, Carla Nunes, na última segunda-feira, durante a reunião do Infarmed, em que vários especialistas apresentaram várias análises ao Governo, mas que terminou sem se delinear quais são, afinal, as tão faladas linhas vermelhas que ditam se e quando podemos ou não desconfinar (só esta quinta-feira, Carlos Antunes, no Parlamento, apresentou uma escala por níveis, com a qual pretende ajudar o Governo a traçar o planeamento e antecipar novos problemas). Noutros países, contudo, essa análise por níveis mantém-se como base para tomar medidas, mesmo que os seus critérios possam ir sendo ajustados.

 

 

 

Carla Nunes analisou como vários outros países enfrentam a pandemia e encontrou três abordagens diferentes. Umas que considera mais permissivas, outras mais restritivas (como a Austrália, que tem uma perspetiva de zero casos e que quando constata dois casos, confina logo a zona onde se registaram), e outras “mais centrais”. Acabou por focar-se em dez destas (Alemanha, Áustria, Canadá (Ontário), Espanha, França, Finlândia, Holanda, Irlanda, Itália, Reino Unido) — analisando todos os critérios que usaram para decidir fechar mais ou menos o país, por setor de atividade. E concluiu que estes países não se focam apenas em indicadores epidemiológicos, como a taxa de incidência (número de casos), a percentagem da positividade (testes positivos), o Rt (taxa de transmissão), os surtos e as transmissões comunitárias. Contemplam também fatores como a capacidade da Saúde Pública (avaliando a vigilância e o rasteio de casos positivos) ou a capacidade hospitalar (número de internamentos em enfermarias em Unidades de Cuidados Intensivos).

 

Nalguns casos estes países analisam, mesmo, estes fatores de uma forma quantitativa, noutros mais qualitativa, segundo explicou, mas através deles definem matrizes de risco que variam entre os três e cinco níveis e que se podem aplicar a nível regional ou nacional. Alguns países vão revendo estas matrizes periodicamente, outros mantêm-nas, e há também aqueles que quando percebem que há já várias regiões em risco extremo, decidem tomar decisões a nível nacional. Algo não muito diferente da tabela que acabaria por propor depois Carlos Antunes aos deputados esta quinta-feira.

 

 

Para Tiago Correia, professor e investigador no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, Portugal tem, porém, de encontrar os seus próprios indicadores. “Temos que chegar a essas decisões, é preciso clarificar esses indicadores”, defende, explicando que não basta olhar para o número de internamentos e para o número de casos, como tem sido divulgado. “Não há indicadores mágicos, nem números mágicos, cada país tem que chegar à conclusão de quais são as suas linhas vermelhas de acordo com a sua realidade social, geografia”, disse a Observador, lembrando que há países que incluem, por exemplo, o impactos na saúde mental, ou mesmo na aprendizagem, ou na alimentação das crianças — o que em Portugal nem sequer é possível aferir.

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