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Da seriedade de Marcelo Rebelo de Sousa e a promulgação – Alberto Veronesi

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Quando no final de julho Marcelo Rebelo de Sousa vetou o diploma de recuperação do tempo de serviço, ficou claro que deveria haver a recuperação total do tempo de serviço pela destacada importância da profissão de professor.

No entanto, uns dias depois, fez um comentário onde referiu que tinha vetado porque no diploma não deixava a possibilidade de futuras aberturas de negociação

Francamente, se o PR considera que, constar uma frase, que como disse, até podia ser no preâmbulo, que remete para o futuro uma pequeníssima possibilidade de recuperação de tempo de serviço, é o suficiente, então estamos no mau caminho. Estamos ao nível da fantochada! O PR não está a ser, nem sério, nem coerente com aquilo que escreveu!

Para além disso a credibilidade deste governo deixa bastante a desejar naquilo que são as promessas aos professores nos últimos anos, pelo que uma frase onde inclua negociações futuras significa zero!

Na política, como o próprio PR afirmou, tomam-se decisões e fazem-se opções. E eu acrescento que todas as decisões têm as suas consequências.

O PR sabe, porque não lhe falta sabedoria política, que ao promulgar este diploma está a condenar as escolas a mais um ano em sobressalto.

Para além disso, sabe também que este diploma, como o próprio afirmou, vai criar mais injustiças.

Apenas alguns irão recuperar umas migalhas do tempo congelado e os demais não.

Porque é que tendo apontado ao governo as soluções das regiões autónomas, não foi firme em afirmar que a solução devia passar por uma situação idêntica no continente?

Devia ter exigido ao governo que no diploma previsse a recuperação total do tempo de serviço com um calendário até ao final da legislatura ou até mais se fosse preciso.

Gostaria também de referir que quando o governo com a ressonância dos media e os seus comentadores vêm dizer que nas Regiões autónomas a recuperação faz parte dos benefícios insulares, está a ser falacioso.

Não pode considerar um benefício insular, o cumprimento da lei…se para além disso tiverem outro tipo de incentivo, aí, sim, trata-se de benefício de insularidade. Mas não é o caso.

Percebo a urgência do governo em arranjar uma nova narrativa depois de ter sido desmentido por todos relativamente aos 70% de descongelamento.

Mas quer numa quer noutra não está a ser sério. É uma pena.

O PR com esta decisão está a prejudicar em primeiro lugar os alunos que frequentam a escola pública.

Também é interessante chamar a atenção para o facto desta discussão sobre o diploma ter sido feita à margem da parte interessada, os professores!

Está promulgação é um desrespeito para com a profissão pela qual há poucos dizia ter se ser discriminada positivamente das demais…

Com esta promulgação tenho muitas dúvidas que possa regressar a normalidade às escola no início do próximo a ano letivo

Este é um assunto estrutural e fraturante. Enquanto esta medida não for resolvida, não me parece que qualquer outra possa ser negociada.

Pergunto se é com estes sinais que o governo quer tornar a carreira mais atrativa? É a tratar desta forma a carreira dos professores que considera que vai captar jovens?

Claro que não. Mas também não parece estar interessado porque parece ter encontrado uma forma instantânea e perigosa que é a de baixar os requisitos para se poder dar aulas – 90 créditos que é metade de uma licenciatura é o que é preciso para se ser professor!