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DÁ QUE PENSAR – O inesperado adversário da ILC é… a Fenprof!

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“Já sabíamos que teríamos o Ministério da Educação versão Mário Centeno como adversário, o próprio Parlamento é uma incógnita, mas sendo realista, sabemos que o PS dificilmente votará contra o Governo. Agora, o que eu não estava à espera, era ver a “máquina” da Fenprof contra a ILC.
No dia da liberdade (curiosa coincidência) a Fenprof falou claro e alertou para os perigos da Iniciativa Legislativa de Cidadãos. Pelos vistos o documento é a cartilha que os “soldados” da Fenprof estão a utilizar para tentar convencer os professores a não assinarem a ILC.
Não estou a falar de cor, falei diretamente com a Fenprof na minha escola e os argumentos da cartilha são estes:

Artigo 19.º do Orçamento de Estado

A Fenprof continua a acreditar que isto é uma lei. Eu e muitos como eu temos de ir ao oftalmologista, pois não vejo lei nenhuma, vejo um conjunto de intenções para um processo negocial e para este Orçamento de Estado. Ora, a ILC é para o próximo Orçamento de Estado. E se isto é uma lei para recuperar todo o tempo de serviço, então andam a negociar o quê e para quê?
O risco dos partidos políticos criarem uma lei com apenas alguns anos para a recuperação do tempo de serviço congelado.
Mas o que é que a Fenprof até agora conseguiu? Acham que a ILC teria existido se as negociações tivessem corrido bem? E depois caímos no ridículo de acharem que os partidos políticos só se lembram de fazer leis depois das Iniciativas Legislativas dos Cidadãos. Isto é tão absurdo, que não entendo como é que seres pensantes podem utilizar este argumento. Se estão contra, digam só que estão contra, não façam este tipo de figuras, a Fenprof supostamente representa milhares de professores, cidadãos com licenciaturas, mestrados e doutoramentos. É ridículo!
Deviam ter falado connosco primeiro
Porquê? Vivemos em Democracia, enquanto cidadão não tenho de pedir a bênção a ninguém, se quiser apresentar um projeto de Lei, apresento, ponto. Se as assinaturas forem conseguidas tudo bem, se não forem, paciência. A Fenprof representa os professores, não é dona dos professores e eu nem sequer sou sindicalizado…
A cartilha é visível, a Fenprof anda nas escolas a tentar que os professores não assinem a ILC, é que não foi apenas aquilo que eu ouvi, também recebi mensagens a dizer o mesmo…

Estou indignado! Como disse à colega do sindicato que até tenho consideração por ela, isto não foi feito contra os sindicatos, fui eu que tive a ideia, estava a preparar um artigo sobre a contradição do PS em votar a recomendação da recuperação de todo o tempo de serviço congelado e o ME fazer o contrário, que, ao procurar o termo correto da proposta, deparei-me com a possibilidade dos cidadãos fazerem uma lei. Pensei imediatamente “vou entalar estes senhores deputados e ver se o que recomendam é a sério ou andam a brincar com os professores”. Depois falei com o Luís Braga, criámos a comissão que era uma imposição legal e já estamos perto das 10 mil assinaturas.
Todos os outros sindicatos, tirando o S.TO.P e a Pró-Ordem, fingiram-se de “mortos” e não disseram nada. Até aceito que assim seja, lamento, mas aceito, agora o que eu não aceito, é ver o principal sindicato dos professores, que supostamente REPRESENTA os professores, dizer para não assinarem a ILC, com argumentos falsos como se a ILC fosse prejudicial aos professores.
Eu espero que a Fenprof não vá pelo caminho da vitimização e no futuro não culpe a ILC pelos seus fracassos negociais ou até se a manifestação tiver pouca adesão. Digo já aqui e publicamente, que apoio a manifestação de dia 19 e faço um apelo à presença dos professores. Uma manifestação fraca não será um tiro nos pés, será uma bazuca nas pernas…
A ILC foi feita por professores e não consigo compreender, como o nosso principal representante, é contra um projeto de Lei que visa recuperar aquilo que andam a negociar e que é o seu principal objetivo.

Lembrem-se bem disto… A ILC nasceu na altura em que a proposta do ME era 2 anos 9 meses e 18 dias… Só espero que o Ministério da Educação não tenha oferecido mais no passado e os sindicatos tenham recusado… Seguramente que isso não aconteceu, certo?”

O texto é do Alexandre Henriques  mas eu assino por baixo!