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Covid-19! Governo prepara reabertura a 4 de maio

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Não é uma certeza, é um plano: o Governo quer pôr em marcha a reabertura das aulas do 10º, 11º e 12º anos para 4 de maio, na expectativa de que o controlo do surto de covid-19 possa confirmar-se ao longo deste mês, confirmou o Expresso.

O primeiro-ministro ainda espera os pareceres da DGS e dos especialistas, e quer ouvir o Conselho Nacional de Educação e o Conselho de Escolas, para aferir se todos estão de acordo. Mas sabendo que uma reabertura em maio, se for possível, não poderá ser para todos (o distanciamento social ainda terá de ser prolongar), António Costa prefere retomar as aulas presenciais pelo secundário.

Esta solução permitia desbloquear o problema maior desta interrupção: a primeira fase dos exames de acesso ao Superior poderia acontecer em julho, deixando a segunda fase para setembro — o que evitaria grandes atrasos no início do novo ano letivo.

O plano de tentar retomar, parcialmente, o funcionamento das escolas, além de funcionar como primeiro sinal de regresso a uma certa normalidade, teria uma justificação prática: é que o ensino via digital, criando desigualdades entre as crianças e jovens, vai ter se ser complementado com aulas via televisão. E num cenário em que parte dos alunos já têm aulas presenciais, o Governo pode recorrer a um canal da TDT (acessível a quase todo o país) para separar as disciplinas e anos por horários, de forma a que todos consigam seguir as matérias. Ao contrário, se todos os alunos estiverem em casa, a única solução será recorrer também a canais por cabo (o que já não existe em todas as casas).

Neste cenário — uma vez mais, dependente de uma avaliação contínua do surto durante cada semana de abril —, o Ministério da Educação poderia redistribuir os alunos por escolas que não vão estar em uso, mantendo assim uma noção de maior distanciamento — que será importante para evitar novo pico da doença.

Com os dados desta semana a permitirem algum otimismo (desta vez já é possível medir os efeitos do encerramento das escolas), o Governo encara o futuro com uma luz de esperança: se tudo correr pelo melhor, talvez seja possível começar a aliviar algumas restrições durante o mês de maio, para junho ser o mês de regresso à nova normalidade. Com o aparecimento de mais casos, mas com o SNS mais robusto para responder, o Governo admite que seja possível e desejável levantar essas restrições, consciente de que o “comportamento exemplar” destes dias pode atingir um ponto de saturação psicológico difícil de aguentar.

A esse equilíbrio junta-se uma necessidade absoluta: a de agarrar a oportunidade de que julho, agosto e setembro sejam já meses em que o turismo regresse e, com ele, a economia dê a volta — sem o qual a crise ficará definitivamente confirmada.

Mas “ainda não é o momento de vermos a luz ao fundo do túnel”, disse António Costa esta quinta-feira, ao renovar o estado de emergência: o momento é de refrear as expectativas positivas e garantir que o isolamento continua a ser respeitado. Se for preciso, neste mês, o Governo ainda poderá apertar as medidas de restrição antes de as suavizar. Para prevenir, pediu ao Presidente da República uma margem de atuação maior neste segundo decreto do estado de emergência. Durante os próximos dias se verá se é preciso apertar mais.

Fonte: Expresso