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Covid-19: fecho de escolas foi mais prejudicial no final do 1.º e transição para o 3.º ciclo

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No âmbito do estudo foram ainda colocadas aos alunos questões de contexto e, entre os dados revelados pelas respostas, o Ministério da Educação sublinha que o gosto pela leitura parece ter tendência a diminuir ao longo do seu percurso académico.

O encerramento das escolas durante a pandemia da covid-19 foi mais prejudicial para as aprendizagens dos alunos que, naquela altura, frequentavam os anos de consolidação do 1.º ciclo e a transição para o 3.º ciclo.

A conclusão resulta da segunda edição do Estudo Diagnóstico das Aprendizagens, publicado hoje pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), que voltou a avaliar o impacto da suspensão das atividades presenciais nas escolas durante a pandemia, depois da primeira edição em 2021.

A comparação dos resultados, feita no primeiro volume do estudo, divulgado hoje, permite concluir que, entre os três grupos, os alunos com piores resultados face a 2021 foram os do 6.º anos, cujo desempenho baixou a todos os níveis de proficiência na literacia cientifica.

Estes alunos, sublinha o relatório, frequentavam o 3.º ano de escolaridade em 2020 e o 4.º ano em 2021, ou seja, precisamente os anos de consolidação do 1.º ciclo, durante os quais enfrentaram dois períodos de confinamento.

Na mesma altura, estavam a passar do 2.º para o 3.º ciclo aqueles que frequentavam o 9.º ano quando foi realizado o estudo e que, à semelhança dos colegas mais novos, também revelaram algumas dificuldades.

Apesar de manterem um desempenho semelhante em alguns dos quatro níveis de proficiência de cada literacia avaliada, noutros obtiveram piores resultados face à edição anterior do estudo. Por exemplo, a respeito da literacia científica, o relatório aponta para um “decréscimo muito acentuado” no primeiro nível.

Nesse sentido, o Ministério da Educação assume, em comunicado, que aqueles anos, de consolidação de um ciclo e de transição, foram “anos em que as dificuldades de aprendizagem causadas pelo contexto pandémico podem ter assumido maior impacto”.

“O momento do percurso de aprendizagem em que os alunos se encontravam, no período da crise pandémica, poderá contribuir para uma explicação das diferenças registadas”, refere a tutela, recordando que, durante a crise pandémica, aqueles alunos estavam a frequentar o pré-escolar e parte do 1.º ano.

No global, a percentagem de alunos que conseguiram realizar, com sucesso, pelo menos dois terços das tarefas por nível de desempenho manteve-se “baste idêntica” face à primeira edição do estudo diagnóstico.

Ainda assim, no que respeita aos níveis de proficiência de maior complexidade, a percentagem de alunos que realizam com sucesso apenas até um terço das tarefas “é ainda muito elevada” em todas as literacias e anos de escolaridade, refere o relatório.

No âmbito do estudo foram ainda colocadas aos alunos questões de contexto e, entre os dados revelados pelas respostas, o Ministério da Educação sublinha que o gosto pela leitura parece ter tendência a diminuir ao longo do seu percurso académico.

Por outro lado, mostram ainda que os sentimentos dos alunos em relação à escola são tendencialmente positivos e que os professores desenvolvem estratégias didáticas e de avaliação que “denotam uma maior preocupação com o trabalho prático e experimental”.

CNN