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Complexidades – Paulo Guinote

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Escrevia João Miguel Tavares há poucos dias que existem “cabeças que explodem ao admitirem duas coisas em simultâneo”, referindo-se a situações em que existem dois fenómenos aparentemente contraditórios, mas que podem coexistir. Eu iria mais longe e diria que vivemos tempos em que há cabeças que explodem se forem obrigadas a articular dois pensamentos ao mesmo tempo, sem sequer serem paradoxais. Ou a considerarem mais do que duas opções de análise ou interpretação de qualquer fenómeno, a saber, a “nossa-boa-virtuosa” e a “deles-má-indigna”.

Não sei se isto se deve apenas a oportunismo político e a estratégias de combate pelo poder, se não é sinal de algo mais vasto que se traduz num enorme empobrecimento intelectual de qualquer debate público sobre qualquer matéria. Em parte, porque se aposta que mensagens complexas e elaboradas afastarão ouvintes, leitores ou telespectadores. O problema é que ao empobrecer a mensagem, acreditando na incapacidade dos receptores para algo mais difícil, se alimenta um ciclo vicioso que se auto-reproduz. Ou ao substituir explicações por imagens nas páginas dos jornais. Ou ao preferir horas de discussão televisiva sobre um micro-tema de balneário ou alcova à análise de qualquer assunto com uma capacidade analítica que não esteja condicionada pela perspectiva de uma qualquer nomeação ou escolha para lugar elegível.

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