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CARTA ABERTA A QUEM AMA – MARIA EMANUEL CORTE-REAL

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Caríssimos,

Dilacera-me o coração, quando me deparo com todo e qualquer cidadão que sente prazer intrínseco em denegrir a imagem do professor.

É doloroso constatar como alguns se dignam a tratá-lo de forma desrespeitosa, cravando um arpão no seu Amor pela Escola, chamando-o de selvagem ou de radical, quando este intenta somente chamar a atenção daqueles que ignoram as questões cruciais que assolam a Educação em Portugal. Como não compreender a Máxima: Desconcertar para Concertar!

É uma facada constatar que haja cidadãos que subestimam o papel primordial que o professor desempenha na fundação e formação dos futuros cidadãos deste país.

É o professor quem molda as mentes das gerações vindouras, transmitindo-lhes, com altruísmo e engenho e arte, o conhecimento necessário para que possam ser cidadãos conscientes, participativos, solidários, autónomos e acima de tudo críticos e pensantes.

O professor Defende o interesse do Aluno. Ensina-o a voar.

Afinal, o professor Ama a Escola!

Além disso, fico incrédula, quando certos cidadãos acusam o professor de trabalhar pouco e encontrar-se sempre de licença sabática.

Quem não compreendeu ainda que tal pensamento se trata de uma falácia absurda, duma mera ilusão, demonstra somente a completa falta de conhecimento do trabalho árduo e exaustivo que o professor enfrenta diariamente, dedicando-se inteiramente aos seus Alunos e à Escola, preparando aulas e todo o tipo de atividades que visam ativar a curiosidade, expandindo assim o conhecimento.

Afinal, o professor jamais vira as costas ao seu Aluno. Defende-o.

O professor Ama a Escola!

Sangra mais o meu coração, quando aqueles ainda que, mesmo perante a evidência, se recusam até reconhecer a Falta de professores como um problema grave da nossa sociedade atual.

Esta falta de profissionais compromete a qualidade do ensino e prejudica diretamente o futuro das nossas crianças e jovens, dos vossos, dos nossos filhos, dos vossos, dos nossos netos.

Infelizmente, parece que o cidadão comum público ou responsável pelo país e presente, quase diariamente, na comunicação social, não se encontra disposto a enfrentar esta realidade calamitosa com toda a coragem que lhe é merecida.

O professor enfrenta-a, denunciando, protestando!

Afinal, o professor Defende o Aluno!

O professor Ama a Escola.

Além disso, é dececionante verificar como alguns comentadores na comunicação social defendem limites para a criatividade, cerceando, dessa forma, a liberdade de expressão.

Este tipo de restrições são um verdadeiro atentado contra os valores fundamentais de uma sociedade supostamente livre e democrática, minando a capacidade de pensamento crítico e, consequentemente, impedindo a evolução intelectual dos seus cidadãos.

O professor a Lutar também está a Ensinar!

Afinal, o professor Ama a Escola!

Basta! É hora de acabar com esse comportamento desrespeitoso e difamatório em relação ao professor.

Basta de difamar por difamar, para desviar do essencial!

A sua causa é justa!

As suas revindicações clamam alto e, perante um Governo Cego e Surdo, resta ao professor recorrer a Ações Criativas, chamando assim a atenção de Todos para os problemas da Escola Pública!

Ao longo dos séculos, o professor merece todo o respeito e reconhecimento pela árdua tarefa que realiza com espírito de missão e profissionalismo, partilhando com gosto e mestria todo o conhecimento que o inunda.

Afinal, o professor Defende o Aluno.

O professor Ama a Escola!

Basta a todos aqueles que insistem em menosprezá-lo, e que sugerem que estes comprem um bilhete de avião só de ida, sem possibilidade de retorno.

Basta de o tentar enlamear, deturpando os seus atos de protesto: um mero Grito de Alerta e de Ajuda face a uma Escola Moribunda nos Cuidados Intensivos e da Responsabilidade de Todos!

Somente parando ao som deste “Basta”, duma classe apaixonada e em uníssono, se possa, finalmente, compreender o quão essencial é o amor do professor na construção de uma sociedade justa, intelectual, democrática, livre e de valor!

É a hora de mostrarmos solidariedade e apoio! É a hora do Amor!

Atenciosamente,

Maria Emanuel Côrte-Real de Albuquerque

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