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Caro Ministro da Educação Professor Dr João Costa

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Sei que é muita ousadia minha dirigir uma missiva a Vossa Excelência, mas sempre que posso, eu ouço os outros, mas digo o que o penso

 

Os políticos consideram os professores, uma classe inferior, mas informo que já encontrei milhares de professores porque já lecionei a adultos e jovens, por quase todo o país, e quase todos tem ou duas Licenciaturas de cinco anos como eu, ou uma Licenciatura, uma Pós Graduação, um Mestrado e alguns um Doutoramento. 

Os professores são uma classe preparada do ponto de vista científico e pedagógico. 

 

Recordo de uma turma do 9º ano que tive um braço de ferro, na minha autoavaliação mental, percebi que teria de melhorar a minha diplomacia. Não considero uma fragilidade, mas sim uma aprendizagem. Já passaram muitos anos. 

No ano transato, voltei a ter um braço de ferro com os Encarregados de Educação e a turma. O resultado foi os Encarregados de Educação fizeram o dever deles educaram os filhos e com os alunos conversei e negociei com eles. Mais uma vez recorri ao meu lado diplomático. 

Nessa turma teriam de trabalhar mais, mas tive que fazer cedências, eles não conseguiam fazer mais. Tive de me resignar. 

Por vezes temos de recuar para ir mais longe.

A aluna mais complicada dessa turma,  ainda hoje me faz uma festa quando me encontra nos corredores.

Ser professor é conhecer os limites, e estabelecer compromissos.

Ser governante é estabelecer compromissos para uma sociedade melhor.

Este ano tenho novamente esse trabalho. 

Sabe Senhor Ministro, os professores fizeram cedências na Troika, fizeram formação, muita formação e cedências nos confinamentos,  porque pensam nos seus alunos.

 

Cada aluno significa a promessa de um mundo melhor.

Cada aula de matemática significa uma promessa.

Aos meus alunos eu ensino de onde veio o “zero”, a história do zero, a vantagem de existir o zero e o que poderá fazer o zero no futuro…

A matemática é uma história inacabada, daí o seu fascínio.

 

O Senhor Ministro tem um problema, deixo o método de resolução de problemas de ensino aos meus alunos, o método de resolução de Polya, um matemático.

Costuma-se descrevê-lo em etapas, Identificação a situação: reconhecer que há um problema a ser resolvido;

  1. Distinção do problema: especificamente o que se precisa resolver e como isso será feito;
  2. Investigação: estudar formas de chegar ao objetivo, quais os  meios e objetos a  empregar;
  3. Planificação: desenvolver a solução levantada na investigação, empregando melhorias às ideias iniciais;
  4. Execução: realizar o previsto para atingir a resolução do problema.

Um estadista é aquele que resolve um problema e não aquele que o aumenta.

Resolver problemas dá muito trabalho.

Com os melhores cumprimentos 

Elisa Manero